domingo, 14 de setembro de 2014

Celine - 2009



Por Jason

O telefilme começa com a cantora de "My Heart Will Go On", tema de Titanicentrando num palco para mais uma apresentação. Volta no tempo, contando fatos da infância da cantora. Quando criança, Celine foi atropelada por um carro e quase morreu. A família, que morava em Quebec, era grande (ela era a mais nova de 14 filhos) e se reunia para cantar, mas a menina era tratada pela família como um erro e sofria bullyng na escola por ser feia demais e ter dentes bizarros. A família comprou um pub, para fazer seus shows, onde Celine teria mostrado talento para a música, mas o lugar foi destruído por um incêndio pouco tempo depois sem que nenhum produtor musical aparecesse para vê-la cantar. 


Para alimentar o sonho da menina, a família vai atrás do empresário Rene Angelil, que era conhecido por agenciar outros cantores franceses. Os cantores que ele agenciava tinham o hábito de, uma vez no topo, o abandonarem. O irmão de Celine, Michel, acaba enviando uma demo para o empresário, que faz pouco caso mas muda de opinião ao ouvi-la cantar. Mesmo feia, ela tinha uma voz potente e o empresário viu nela um potencial e um talento que poderia ser explorado. O empresário coloca Celine para competir em festivais enquanto a menina vai ganhando e construindo uma carreira, mas o empresário vai falindo na mesma proporção, porque ela não atinge o sucesso esperado. Paralelo a isso, os dois se envolvem amorosamente contra a vontade da mãe, que não queria um homem tão velho para a filha e, entre altos e baixos, Celine finalmente vai para o mercado norte-americano, onde consegue gravar com o renomado David Foster. Eles emplacam juntos o sucesso "Where does my heart beat now", que a leva a gravar o tema de "A bela e a fera" mais tarde e faz com que a carreira dela engrene uma quinta marcha que vai culminar no explosivo sucesso tema de Titanic.

O filme é sofrível e beira o ridículo pela pobreza da produção. A direção parece de novela mexicana e os atores são todos péssimos, em atuações precárias de fazer vergonha até a ator de Malhação. A opção do filme por colocar a atriz principal cantando e interpretando as músicas soterra o filme de lixo - piora porque a mulher é mais feia e estranha que a Celine original. A voz da mulher parece a de uma rasga mortalha com diarreia e toda vez que ela sobe o tom, desafina terrivelmente. É de uma bizarrice assustadora. Nada supera a Celine mirim, com cara de doente e dente de abridor de lata.  Faltou também uma maior pesquisa sobre acontecimentos. Há uma confusão com datas e fatos notáveis, já que a cantora costumava cantar em sua língua materna - o francês não em inglês como mostrado - e sua carreira foi impulsionada por um álbum em inglês só em 1990 (nada que uma consulta rápida a internet não resolvesse).  

Para o bem ou para o mal, Celine Dion faz parte de uma geração de divas geradas nos anos 80 mas que encontrou o auge da fama e do sucesso na década de 90 (como Whitney Houston e Mariah Carey, por exemplo) quando vendiam milhares (e bote milhares nessa conta) de cds em todo o mundo. Mesmo que não se gostasse dela, era inegável o seu talento, sua habilidade e o seu poderio vocal - qualidades que duram até hoje. O pico dessa carreira foi sem dúvidas a música tema do filme de James Cameron, que se perpetuou por quase trinta semanas entre as primeiras posições das mais tocadas em todo o mundo, se transformou no trabalho musical mais vendido de todos os tempos (pelo menos 60 milhões de cópias entre cds da trilha sonora e o da cantora), e um feito histórico, deixando sua marca na história da música. Só que, assim como as outras (ao contrário de Tina Turner, por exemplo, que viu sua carreira ir ao limbo e retornar ao topo na década de 80, de onde nunca mais saiu), Celine não se reinventou e não conseguiu resistir ao novo século, muito menos atrair um novo público proporcional ao seu talento e ao seu sucesso do passado, decaindo gradualmente à medida que novas cantoras sem talento foram fabricadas, invadiram o mercado e ganharam espaço no mundo da música. Virou artigo de museu, ou melhor, de cassino.

Sua voz impulsionou casais em baladas românticas inesquecíveis, ela conquistou plateias no mundo todo com shows lotados, vendeu mais de duzentos milhões de discos e cds, se transformou na maior vendedora de discos em língua francesa e uma das maiores em língua inglesa no planeta, era pobre e ficou bilionária, ganhou uma coleção de prêmios e foi metralhada pela crítica quase sempre por seus álbuns melosos, bregas e datados demais. Teve filhos depois de tratamentos complicados, seu marido e empresário está com o pé na cova devido a um câncer agressivo, sua carreira está sepultada num cassino em Las Vegas, lançando discos que fracassam em vendas enquanto os fãs aguardam um hit monstruoso que os faça relembrar, ao menos de longe, o sucesso que ela um dia teve - porque a história da música já mostrou que não se deve subestimar uma diva. Ainda fatura, e muito, porque soube capitalizar em cima da sua carreira e ao menos preservar sua imagem familiar. 

Dito tudo isso, sua vida daria um filme no mínimo interessante, mas resultou nesse angu tenebroso que merece o limbo.

Cotação: 0/5

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