sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Em nome do pai - 1993



Por Jason

Baseado no livro autobiográfico Proved Innocent, de Gerry Conlon, e indicado ao Oscar nas categorias de melhor ator (Daniel Day-Lewis), melhor ator coadjuvante (Pete Postlethwaite), melhor atriz coadjuvante (Emma Thompson), melhor diretor, melhor edição (montagem), melhor filme e melhor roteiro adaptado, Em nome do pai começa em 1974 com um atentado terrorista a um pub próximo de Londres, que acaba resultando na morte de cinco pessoas. 


Gerry (Daniel) é preso com outras pessoas acusados de fazer parte do grupo terrorista IRA sem que tivesse nada a ver com o caso. Para confessarem o crime, eles são torturados, espancados, maltratados e pressionados de todas as formas a assumirem a culpa pelas mortes. Gerry é assim condenado por um crime que não cometeu e acaba levando o pai junto (Pete). Posteriormente, o líder do IRA acaba sendo preso e confessando o crime para a polícia, informando que eles prenderam as pessoas erradas, mas mesmo assim, os policiais e a justiça continuam mantendo-os no presídio. O pai de Gerry começa a definhar na prisão e o líder terrorista toca o terror também dentro do presídio, para complicar ainda mais as coisas. Entra em cena a advogada Gareth Peirce (Emma) que investiga o caso e tenta reverter a situação, esbarrando na burocracia política e judicial para livrar pessoas inocentes condenadas injustamente à prisão.

Jim Sheridan, diretor do filme, se usa do livro para mostrar o clima de paranoia e histeria, a irresponsabilidade e a incompetência que se instalou na polícia durante os atentados terroristas, polícia esta que sem saber o que fazer, precisa arranjar de qualquer forma os culpados pelo crime. Filma o julgamento como se fosse um circo de tão absurdo e cínico e as autoridades completamente desnorteadas no caso. Para se ter uma ideia do caos em que a família de Gerry foi envolvida, a tia foi presa com seu filho de 14 anos e seu marido, mesmo que não houvesse uma prova sequer de sua condenação. Gerry passou quinze anos na cadeia, pois provas de sua inocência foram retiradas do processo a mando da polícia e a sua sentença perpetua foi anulada graças aos esforços da advogada e da descoberta de incoerências nos processos e na investigação policial.

Daniel, mesmo irregular - seu choro na prisão ao ser interrogado é caricatural - consegue passar toda a piração causada pela prisão. Seu acesso de choque ao ver o pai ser preso mostra em poucos minutos a sua capacidade de explorar a personalidade conturbada de seus personagens. Pete Postlethwaite traz serenidade ao personagem, um homem com a clareza e fé suficientes para manter sua sanidade mental dentro da prisão, que acaba se tornando a razão pela qual o filho luta para sair e por justiça. Em nome do pai parece longo além da medida. Emma Thompson fica pouco tempo em cena, resumindo sua participação a investigação e uma rápida atuação no tribunal nos minutos finais do filme, mas ainda assim faz um excelente trabalho ao expor e condenar o sistema judicial britânico que cometeu um erro grosseiro para manter seus interesses. Em tempo: após sair da prisão, Gerry sofreu com uma tentativa de suicídio, se envolveu com álcool e com drogas e morreu em junho deste ano aos sessenta anos, o que torna o filme um documento histórico que merece ser revisto.

Cotação: 3,5/5


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