quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Gente como a gente - 1980



Por Jason

Gente como a gente foi o filme de estreia de Robert Redford na direção. Indicado a seis Oscar, recebeu quatro (filme, direção, roteiro adaptado, ator coadjuvante - Timothy Hutton, premiado aos 20 anos de idade em seu primeiro trabalho no cinema). 



Ele traz a história da família de Conrad (Hutton), um jovem que perdeu seu irmão Bucky e se sente culpado pelo que ocorreu. A mãe tenta manter as aparências, agindo como se nada tivesse acontecido mesmo nos casos de acesso de estresse do menino, ao passo que o pai (Donald Sutherland) começa a sufocar o menino. Conrad demonstra estar distante quase o tempo todo, seja nas aulas de natação, seja com os amigos, ou no próprio ambiente familiar. É incompreendido por todos os lados. Para enfrentar a perda do irmão, ele tem acompanhamento de um terapeuta, onde começa a revelar detalhes de sua vida pós acidente e da relação conturbada com os pais. 

O problema é que, de certa forma, o fato de ignorar Conrad é um sinal de que sua mãe também o culpa, já que o falecido filho era o preferido dela. Ela age de maneira superficial com o rapaz, tentando fazer as coisas rodarem como se tudo estivesse normal e sem perceber os anseios e conseguir manter um diálogo com o menino.  Mas os detalhes começam a saltar os olhos. Em uma sessão com a família, a mãe precisa manter um sorriso falso para tirar uma foto com o próprio filho, com quem evidentemente não quer tirar. Para uma viagem, planeja sua ida sem o filho. Seu desejo é se livrar dele e mandá-lo para uma escola distante. A situação do rapaz parece melhorar depois que conhece uma menina, Karen, mas para o pai segue no caminho inverso, já que este começa a perceber que o ponto problemático da família está mesmo na figura matriarcal - algo que ele se recusava a enxergar.

Redford se mostra um bom diretor, embora sem arrombo, mas mantendo um excelente distanciamento da situação, sem definir aquelas pessoas como se fossem vilãs, principalmente a mãe. O mérito pelo êxito da trama recai sobre Hutton, que consegue desenvolver a complexidade de seu personagem, embora falhe nas cenas mais dramáticas. Conrad é um jovem tentando se livrar de um peso sem encontrar o caminho para isso e vivendo em uma crise nervosa que o levou a uma tentativa de suicídio. Um degrau abaixo, mas ainda assim em boa caracterização, está sua mãe. Mary Tyler Moore faz uma mulher insensível e amarga, a ponto de, no velório do filho, estar mais preocupada com a roupa que o marido usará. Sempre que é confrontada, ela escapa pela tangente 

Gente como a gente é filme acima da média, sem dúvidas. Tem uma trama consistente, bom desenvolvimento de personagens, todos eles tridimensionais (quem deixa a desejar um pouco talvez seja o pai do garoto e isso não é culpa de Donald Sutherland), e é baseado no romance de Judith Guest com um final simples mas corajoso. É difícil acreditar, contudo, que esse filme ganhou o Oscar de Melhor Filme, quando na corrida pela estatueta existiam filmes mais interessantes e dramáticos (O destino mudou sua vida, O homem elefante, Touro Indomável). O filme, superestimado, sofre para passar e para fazer o espectador se interessar - só começa a despertar algum embalo da metade para o final. Até lá, parece dar voltas e mais voltas em torno do mesmo lugar.


Cotação: 3/5

2 comentários:

  1. Alguém sabe informar aonde encontro este filme para assistir? Agradecida

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  2. Alguém sabe informar aonde encontro este filme para assistir? Agradecida

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