terça-feira, 30 de setembro de 2014

Herança Nuclear - 1983







Por Jason

A família de Carol vive normalmente no subúrbio de São Francisco. Ela e o marido se dividem na criação dos quatro filho enquanto se preocupam com coisas supérfluas, como por exemplo, qual presente um deles vai ganhar, se um jogo de computador ou uma bicicleta. Até que um dia, enquanto os filhos assistem a televisão, o anúncio de que uma  bomba nuclear explodiu em Nova York não dá tempo sequer da mãe tirar os filhos da sala e procurar um lugar para se esconder. Um clarão estoura na tela e sirenes começam a gritar por todos os lados, com as pessoas saindo as ruas sem saber o que está acontecendo.

Pouco depois, os moradores começam a se reunir, tentando contato com outros lugares, sem sucesso. As famílias estão isoladas naquele lugar, e seguem suas vidas, principalmente para manterem as rotinas das crianças. É a desorientação e a falta de informações que dá o tom de horror nesse estágio do filme - horror que vai se amplificar quando elas começarem a morrer vítima de radiação. E uma das vítimas é justamente o filho mais novo de Carol, que ela enterra no quintal de casa.

Herança Nuclear é um dos representantes de filmes da década de 80 que tratam do tema do apocalipse vindo de uma explosão nuclear e as mazelas que dele se seguirão. Seu diferencial, contudo, é o foco na desestruturação familiar e do conceito de família perfeita norte-americana. Apesar da sua duração de uma hora e meia, o resultado é arrastado, de ritmo lento e melancólico. O que segura o interesse do espectador é a performance de Jane Alexander, como a mãe das crianças, e sua relação com elas diante do ocorrido. 

A atriz passa toda a piração, dor, frieza, desesperança e melancolia de uma mulher que sabe qual é o seu fim e o destino inexorável de seus filhos. Enquanto narra que os cemitérios estão cheios e as pessoas estão queimando os corpos daqueles que se foram, ela está em casa, embalando um dos seus filhos mortos em lençóis com a certeza de que não há nada mais a se fazer e consciência do que deve ser feito. Esse é um dos pontos, talvez, mais assustador para o espectador. O filme ainda conta com participação dos então jovens Rebeca DeMornay e Kevin Costner, que decidem abandonar a cidade por não conseguirem ver mais um sentido em permanecerem ali sem tentar ir embora. 

Ao final, como em "O dia seguinte", também feito para a televisão na mesma época, sua poderosa mensagem é clara: pior que morrer em um ataque nuclear é, sem dúvidas, sobreviver a ele.

Cotação: 2/5

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