quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Jurassic Park 3 - 2001





Por Jason

Há tanta coisa errada em Jurassic Park 3 que não surpreende o fato de o filme ter sido massacrado pelo público e crítica. A começar pela falta de criatividade da produção. Emulando o primeiro filme, a câmera passeia com o avião ao chegar a ilha, aqui a Ilha Sorna, um sítio que era usado pela empresa Ingen, do milionário John Harmond, para fazer as suas crias monstruosas jurássicas. No sítio arqueológico, ela se afasta de um esqueleto fossilizado na areia, dentre outros enquadramentos regados ao som da trilha sonora sem inspiração de Don Davis - copiada de John Williams do primeiro filme, sem nada de novo a acrescentar. 

A trama é rala - e há quem grite que as tramas dos outros filmes anteriores também eram, mas o primeiro ainda conseguia levantar debates a respeito da clonagem e de ética no campo da genética e o segundo ainda tinha alguma dignidade como filme de ação e aventura. Aqui, um casal separado está procurando o filho que sumiu tem oito semanas nas proximidades da ilha, após um passeio. Eles se passam por milionários aventureiros, e chamam o paleontólogo Alan Grant para um voo rasante na ilha. Alan, que após suas últimas descobertas teoriza a respeito dos raptores possuírem uma forma de conversarem entre si, se recusa inicialmente, mas aceita a viagem após um pomposo cheque ser ofertado. Lá, pouco depois de pousarem contra a vontade dele, começa a correria, com os coadjuvantes inúteis e intrometidos servindo de comida para dinossauro e a histérica Tea Leoni gritando sem parar. 

Toda a primeira etapa é resumida em vinte minutos, com apresentações de personagens e desenvolvimento nulo. Se os outros filmes anteriores criavam algum mistério com relação aos dinossauros - principalmente o primeiro filme, que escondia o T-Rex até uma cena chave -, aqui o maior predador, um Espinossauro, já aparece logo de cara a luz do dia, matando o T-Rex. A briga, que deveria ser épica, dura apenas alguns medíocres segundos. Ao contrário do primeiro filme, que nas suas duas horas tinha apenas quinze minutos com as criaturas digitais, há um desfile delas sem nenhuma utilidade - e para se ter uma ideia, uma delas serve apenas para cheirar as fezes de outra.  

Há uma tentativa de surpreender o espectador com os pteranodontes, colados ali de partes tiradas do primeiro livro de Michael Crichton. Outras partes, como a do ataque no rio e a sequência dos fetos em laboratórios também estavam no primeiro e no segundo livro de Crichton, o que dá uma sensação de que o roteiro foi feito com sobras das tramas originais. E pensar que esse mesmo roteiro passou por seis mãos e tem nos créditos gente como Alexander Payne (Nebraska, 2013). O espectador tem que aturar um casal (Tea Leoni e William H. Macy, este completamente deslocado) acertar suas contas enquanto procura pelo guri, que é a encarnação malfadada do Indiana Jones; tem que suportar Billy (Alessandro Nivola), o jovem amigo de Alan Grant,  que resolve roubar uns ovos e o próprio Grant, que de especialista em dinossauros virou um expert em soltar um "oh my god" a cada minuto. Some a isso cenários com plantas artificiais criadas em estúdios e uma notável artificialidade e se tem o panorama do desastre. 

Não é culpa, então, do diretor Joe Johnston, alugado para o filme mas que ainda consegue fazer algo interessante nos momentos de ação, como o ataque dos repteis alados ou na concepção desafiadora e interessante dos terríveis raptores - que demonstram inteligência para caçar em bandos e criar armadilhas para capturarem suas presas. A produção continua a mistura de bichões digitais com animatrônicos com a mesma competência - criaturas vistas de corpo inteiro caminhando ou correndo são feitas em CGI; em close ou em partes, em geral são robôs gigantes e truques de câmera -, mas sem o mesmo brilho dos filmes anteriores. Para os fãs da série, só resta lamentar e aguardar pela chegada de Jurassic World em 2015, que promete restabelecer uma nova franquia para que os dinossauros voltem a dominar as telas do cinema. 

Cotação: 1,5/5


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