sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Norma Rae - 1979



Por Jason

Em Norma Rae, Sally Field já começa descobrindo nos primeiros momentos que sua mãe acaba de ficar surda. Ambas trabalham na industria têxtil da cidade em condições degradantes. Chega a cidade um homem, Reuben, do sindicato Têxtil Americano, tentando montar uma filial para defender os direitos dos trabalhadores. Ele vai bater na casa dela e informa que os empregados estão sendo explorados até a medula, trabalhando em condições precárias, sem segurança e sem assistência médica, que são direitos básicos de todo trabalhador. Segundo ele, aquela fábrica é a única no país que não possui um sindicato e ele quer que o trabalhadores se organizem para formar um no local - mas os próprios trabalhadores resistem, pois temem a reação dos patrões. Ele também enfrenta preconceito por ser judeu e na cidade haver predominância da religião Batista. 



Norma mantinha um caso com um homem casado e começou a dar uma virada em sua vida dispensando o homem, que tinha dois filhos e a tratava como uma qualquer, inclusive a agredindo fisicamente. Mãe solteira de duas crianças, vivia na casa dos pais e não se preocupava com os homens com os quais se envolvia, era mal vista pela empresa porque reclamava das condições e para fazê-la ficar calada, a empresa a promoveu como supervisora, para que ela fosse mal vista pelos outros, incluindo seu próprio pai que também trabalhava na empresa. Paralelo a isso, ela conhece Sonny, que acabou de se divorciar e com quem passa a se relacionar. Mas Norma é uma líder natural e acaba se envolvendo com o sindicato, tentando convocar mais pessoas para a causa e melhorar assim a condição de vida dos empregados.

O filme é baseado na história real de Crystal Lee Sutton, que faleceu vítima de um câncer aos 68 anos de idade em 2009 e que liderou uma campanha contra as condições de trabalho oferecidas pela empresa J.P. Stevens Mill que era a segunda maior fabricante têxtil do país na década de 70. Trabalhadores rotineiramente perdiam dedos, inalavam partículas de algodão e perdiam a audição devido ao zumbido ensurdecedor das máquinas, tudo isso em troca de salários miseráveis e condições deploráveis de trabalho. O papel de Norma Rae, esnobado por atrizes como Jane Fonda, deu o Oscar de Melhor Atriz merecidamente para Sally Field. 

Sally capta toda a fúria, inteligência, determinação e ao mesmo tempo ingenuidade na mesma medida, de uma mulher que foi perseguida e ameaçada, mas mesmo assim não se deixou intimidar e prosseguiu com sua luta. A atriz protagoniza pelo menos uma cena emblemática, quando sobe em uma mesa de tear e escreve "UNION" em um pedaço de papelão, fazendo com que as pessoas na fábrica parem seus trabalhos e suas máquinas. É uma atuação inesquecível. O papel de suporte de Ron Leibman é outro ponto alto do filme, porque é ele quem desperta em Norma a vontade de organizar uma luta por melhorias, fazendo com que ela perceba que finalmente está fazendo algo de valor não só para ela, mas para as outras pessoas, para a sua família, para os seus filhos. 

O filme foi indicado também ao Oscar de Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Canção, pelo qual também levou. Norma Rae só se perde em detalhes, como o fato de que o relacionamento entre ela e os seus pais, bem como a doença da mãe, somem do roteiro. A parte do preconceito com os negros e judeu na região é apenas superficial e coadjuvantes perdem o peso da importância - o próprio Sonny, que se tornaria seu marido - na vida da personagem principal. Nada que tire o brilho da atuação de Sally e o impacto do filme.

Cotação: 4/5

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