quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Papillon - 1973


Por Jason

Papillon adapta o livro autobiográfico de Henri Charriere, um prisioneiro condenado injustamente por um crime que não cometeu. Nos anos 30, Henri (Steve McQueen), era conhecido como Papillon por ter uma borboleta tatuada no peito, e é condenado a prisão perpétua e enviado da França para uma prisão colonial na Guiana Francesa. Durante o transporte no navio, em condições sub-humanas, ele acaba conhecendo Dega (Dustin Hoffman) um falsário conhecido por todos e jurado de morte.  Papillon oferece proteção a ele, desde que ele o ajude a fugir da prisão.

As regras da prisão são claras. A primeira tentativa adiciona dois anos de solitária. A segunda, cinco anos. Na terceira, o prisioneiro é decapitado na guilhotina. Papillon planeja fugir subornando um guarda, mas é pego e vai parar na solitária. Ele resiste às investidas dos agentes penitenciários que descobrem que alguém fornece cocos para ele na solitária. Os guardas tentam pressioná-lo junto ao diretor para que ele entregue a pessoa que o está enviando a comida e ele, sob pena de passar fome até a morte. Fraco, debilitado mentalmente e fisicamente, à beira da morte, o diretor não vê alternativa a não ser tirá-lo da solitária e devolvê-lo a prisão convencional.

De volta, em mais uma fuga, Papillon se alia a um homossexual, negocia um barco com o médico da prisão e consegue com a ajuda de Dega sair do presídio em uma noite de festa, mas é surpreendido quando percebe que o barco negociado não presta e tinha sido levado para uma emboscada. Eles conseguem chegar a uma colônia de hansenianos e depois a uma tribo de índios caribenhos, onde são perseguidos e separados. Seus planos vão por água abaixo quando Papillon deixa a tribo para trás, é traído e mandado de volta para a prisão de onde tinha fugido, onde passa mais cinco longos anos numa solitária e por fim é mandado para a Ilha do Diabo, cercada de tubarões de onde nunca ninguém saiu.

Papillon é um filme longo e seco. O dia a dia dos prisioneiros é retratado de maneira violenta. Prisioneiros são mortos em guilhotina, torturados, morrem de exaustão, tratados como animais, seus corpos jogados no mar para os tubarões, e são metidos em trabalho escravo no meio da selva em meio a cobras e crocodilos. A trilha sonora pouco aparece e quando aparece, não constitui um trabalho memorável de Jerry Goldsmith que, mesmo assim, foi indicado ao Oscar. A escolha dos atores, porém, é um acerto: Dustin Hoffman traz outra boa caracterização em sua carreira, mas é McQueen o grande trunfo do filme. McQueen, sisudo e trazendo aquela imagem de homem durão, aos poucos vai deteriorando na solitária, se alimentando de insetos e de piolhos de cobra até se tornar um farrapo humano comedor de baratas e desdentado. Em meio a sua fuga quase impossível, ainda leva tempo para se engraçar com uma índia formosa e tatuar o velho pajé da tribo com uma borboleta. No climax final, foge mais uma vez, porque a vontade de ser livre era maior do que a sua própria vida. 

Verdade ou não - o filme tem um toque de fantasia com as peripécias inimagináveis de Papillon - está aí um personagem cuja vontade de ser livre foi maior que a sua própria vida miserável. Imperdível.

Cotação: 4/5

2 comentários:

  1. A obra literária é excelente e a adaptação fez jus a mesma. Adoro esse filme e graças ao meu saudoso pai tive o prazer de conhece-lo. É um dos meus prediletos no meu acervo, junto com Era uma vez na América.

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  2. O contraste do cenário paradisíaco com o inferno penal é incrível. Diálogos, ação e atuação impecáveis.

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