segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Parque dos dinossauros - 1993









Por Jason

Antes de 1993, os dinossauros do cinema se resumiam a criaturas de massinha ou roupas de borracha e, quanto mais antigo o filme, mais eram tratados apenas como criaturas monstruosas que não obedeciam a uma distinção entre herbívoros ou carnívoros pela falta de estudos mais aprofundados e detalhados na paleontologia. Qualquer dinossauro, fosse o que fosse, comia carne ou humanos intrometidos em algum continente ou ilha perdida desse mundo. A situação mudou com a chegada de Jurassic Park, de Steven Spielberg, e com ele toda uma mudança na indústria dos efeitos visuais.

Na trama, baseada no livro homônimo de Michael Crichton (Esfera, Coma), o milionário John Hammond trouxe de volta a vida uma série de dinossauros, através de um processo de clonagem se usando de DNAs encontrados em insetos preservados em âmbar pré-histórico. Após um incidente, envolvendo um Velociraptor, Hammond é abordado pelos investidores, que querem saber se o parque é seguro para a abertura para o público. O advogado dos investidores convida o matemático Ian Malcolm, enquanto Hammond leva o paleontólogo Alan Grant e a paleobotânica Ellie Sattler, que se juntam na ilha aos dois netos de Hammond, Tim e Lex Murphy para um passeio.  Acontece que o parque é sabotado e os animais acabam soltos espalhando o caos e o terror.

O filme representa toda uma década do cinema - ou talvez o fim dela - já que é considerado por muitos o último ponto alto da carreira de Spielberg no cinema de ficção e aventura. Na época, levantou questionamentos a respeito do uso nocivo da genética e da clonagem, um tema que ainda se mantém atual - basta lembrar que a clonagem da ovelha Dolly ganharia as notícias dos jornais do mundo todo pouco tempo depois do lançamento do filme. As grandes estrelas do filme ainda continuam sendo os efeitos especiais, revolucionários para a época e tão bem realizados e ousados que são capazes de peitar qualquer produção que apareça no cinema atualmente. 

Com o advento do blu ray e o relançamento em 3D, algumas coisas acabaram ficando ainda melhores do que já eram - outras nem tanto. A primeira sequência em que o tiranossauro surge continua sendo o ápice do filme. Spielberg misturou os robôs gigantes de Stan Winston com os efeitos digitais da ILM com precisão cirúrgica, o que garantiu a qualidade e a vivacidade da produção até os dias de hoje. Com seu urro inesquecível, o bicho quase salta da tela em direção ao espectador. Outra sequência que ainda impressiona pelo cuidado é a do dilofossauro, que Spielberg filma com a mesma tensão que o deixaria famoso em Tubarão quase vinte anos antes.

Os efeitos sonoros impressionam, num trabalho minucioso dos artistas de som em criar para cada animal sons característicos. A trilha sonora de John Williams é outro ponto a favor - Williams criou, sem dúvidas, um tema inesquecível com "Journey to the island", que abre a chegada dos personagens a ilha. Tamanho esforço da produção resultou em três Oscars, em recordes de bilheteria para a época, e numa legião de fãs, rendeu duas sequências infelizmente inferiores (que juntas somam mais de dois bilhões de dólares aos cofres do estúdio), séries de jogos, quadrinhos, parques temáticos e uma marca multimilionária explorada até a última gota. A previsão é que em 2015 os dinossauros estejam de volta ao cinema em Jurassic World, a aguardada continuação transformada num reboot para a franquia. 

Entretanto, com a qualidade das cópias digitais lançadas hoje em dia, é possível achar pedaços do filme que jogam contra. Os efeitos dos raptores na cena da cozinha envelheceram, o T-Rex anda pesadamente mas não deixa pegadas. O Triceratopes robô se mexe desajeitadamente e os computadores com monitores gigantes e quadrados nos mostram que estamos num filme de décadas atrás. Do elenco não se pode esperar muita coisa além de expressões em close de surpresa, todas as vezes antes que um dinossauro surja na tela. Spielberg faz as suas concessões para a gurizada, apelando para clichês como a menina Lex que vira uma especialista nos sistemas do parque em questão de segundos, um braquiossauro que espirra como um bichinho de estimação e o menino que quase vira vapor ao ser eletrocutado. Nada disso compromete o resultado, que se mantém excepcional e ainda muito acima dos filmes de ficção e aventura que são desovados no cinema atual.

Cotação: 4/5



Um comentário:

  1. Filme da minha vida. O primeiro que assisti no cinema - com 5 anos de idade- o que mais assisti em VHS (minha mãe alugava a fita quase que semanalmente por insistência minha), e que eu mais tenho carinho.

    Lembro de ter assistido recentemente (pela trilionésima vez) e, realmente, alguns efeitos envelheceram, como os raptors na cozinha e a fuga de Grant e as crianças dos "Gallis". Ahh, mas vamos falar sério, ainda é disparado melhor que muita produção de hoje em dia e a aparição do T-Rex até hoje permanece triunfal e antológica. Um marco!

    Jason, tu não faz ideia de como estou ansioso com Jurassic World... e com medo da bomba que pode vir a ser...

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