quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Sangue Negro - 2007




Por Jason

Adaptado do livro Petróleo!, de 1927, e dirigido por Paul Thomas Anderson, Sangue Negro trata da saga de Daniel Plainview (Daniel Day Lewis), um trabalhador que vive de escavar minério. É o final do século XIX, e Daniel está acabado fisicamente e financeiramente: os últimos minerais que encontrou, a prata, renderam poucos dólares e no processo ele se arrebentou, quebrando a perna. Anos mais tarde, Daniel descobre petróleo em um poço e vai para ele com o filho de um companheiro morto em serviço - que ele adota para posar de homem de família e assim se aproximar das pessoas com quem quer negociar. Segue para uma pequena cidade, Little Boston, onde se supõe estar com seus lençóis abarrotados do precioso líquido. 

A operação de prospecção de petróleo era arriscada e oferecia perigo aos trabalhadores - os equipamentos eram rudimentares e tudo acontecia meio que na base do improviso. Não a toa, trabalhadores morriam, acidentes eram constantes - em um deles, um poço acaba se incendiando, quase matando o menino e o deixando surdo. Um pastor, Eli (Paul Dano) tinha procurado Daniel alegando que em sua propriedade havia petróleo e o atraiu para a exploração. Eli queria dez mil dólares para a igreja, mas Daniel ofereceu a metade e comprou as propriedades, com o objetivo de explorá-las. Após montar o seu acampamento com a equipe, Daniel entende que precisa do apoio da comunidade de Little Boston, a cidade, oferecendo para ela desenvolvimento e infraestrutura, estrada, escola, casas, já que precisa evoluir para atender não só o progresso gerado pela prospecção petrolífera - mas principalmente os interesses de Daniel também. 

Daniel começa a se estranhar com o pastor Eli, que passa a fazer algumas exigências como forma de manter a influência da igreja na comunidade. Ele reclama que Eli está dispersando os trabalhadores, que precisam descansar e se concentrar no trabalho, mas estão sendo desviados pelo pastor que está se aproveitando do momento para pregar. Religião e ganância se misturam a partir daí caminhando para uma tragédia, à medida que o dinheiro vai entrando no bolso de Daniel e os problemas vão aumentando na mesma proporção. Todo o alicerce cultural e econômico da sociedade americana começa a se delinear junto a vida de Daniel que fica paranóico e enlouquecido, a ponto de sair no tapa com o pastor, despachar o filho adotivo para longe e tentar expandir os negócios invadindo as terras adjacentes. Para complicar sua vida, surge em cena Henry, que se diz ser seu meio irmão - e que ele se encarrega de mandar para o além ao descobrir que o homem não passa de um falsário. Por fim, faz o seu teatro para aceitar Deus, tudo para conseguir o que quer. 

Daniel Day Lewis, vencedor do Oscar pelo filme, dá seu show habitual como o personagem principal, um homem ganancioso, vazio, sem Deus no coração, interesseiro, amargurado, frio, cínico, solitário e disposto a tudo para realizar suas ambições e tirar da frente quem estiver atrapalhando no seu caminho. É uma pessoa incapaz de compreender que dinheiro não é tudo na vida, que parece procurar um lugar dentro de um seio familiar ou uma estrutura que ele não teve. Toda a sua saga parece resumida em uma cena dramática no epílogo em que esnoba o seu filho, agora adulto e querendo se distanciar, ao que o rapaz dá graças a Deus por descobrir que não pertence ao sangue de Daniel. Enquanto isso, Paul Dano defende seu personagem neurótico incorporando um pastor que beira o desequilíbrio e a alienação com suas interpretações religiosas enlouquecidas, mas que não consegue esconder suas ambições também. 

O filme ainda ganhou Oscar de Melhor Fotografia - é esteticamente árido e deslumbrante - e foi indicado nas categorias de melhor filme, melhor direção, melhor Roteiro adaptado, melhor direção de arte, melhor edição e melhor edição de som. O que prejudica é o seu ritmo - é mais longo do que precisava ser e o resultado é cansativo. Conta com um prólogo de 15 minutos e um epílogo de mais de meia hora, o que pode afastar os espectadores que anseiam por um filme mais dinâmico.

Cotação: 4/5

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