sábado, 11 de outubro de 2014

Automata - 2014






Por Jason

O prólogo de Automata avisa: em 2044, tempestades solares transformaram a Terra em um deserto radioativo, reduzindo toda a população humana em 99,7% - pouco mais de vinte milhões de pessoas. Os distúrbios atmosféricos transformaram a tecnologia de comunicação em algo precário, causando um retrocesso na tecnologia. Como resultado, a empresa ROC criou robôs primitivos, os Pilgrim 7000 e nuvens mecânicas, que ajudam a manter o ar respirável e os seres humanos a sobreviverem nesse mundo sujo. Os robôs obedecem a dois protocolos: eles não podem prejudicar ou ferir qualquer forma de vida e eles não podem se reparar ou consertar ou ainda modificar um outro robô. Por fim, essas duas regras seriam imutáveis.

Jacq (Antonio Banderas) responsável por investigar casos envolvendo os robôs, trabalha para uma seguradora e visita uma família cujo robô é acusado de matar o cachorro da casa, ao que ele contesta. Mais tarde, ele presencia um robô se auto destruir tocando fogo em si próprio e acaba caindo no caso de um robô que foi destruído por um policial chapado porque a máquina violou o segundo protocolo. A grande questão do filme é saber o que está acontecendo com as máquinas que estão surtando. Ele segue um rastro de um relojoeiro, que pode ser o responsável por estar alterando essas máquinas. Paralelo a isso, Jacq tem uma esposa que está grávida de sua filha e deseja sair daquele inferno para morar numa área costeira longe de todo o entulho da cidade. A condição para que ele consiga essa transferência será resolver o caso. O problema é que Jacq acaba sendo acusado pela empresa de ser o causador de todos os problemas e perseguido por ela.

O filme é feliz na reconstituição do futuro apocalíptico mesmo com poucos recursos. É uma mistura de Blade Runner de pobre com Mad Max, com um visual que lembra também o recente Elysium. As galerias do metrô, por exemplo, estão entulhadas de lixo e abandonadas. Robôs velhos e remendados vivem como sem tetos e o mundo parece ser resumido a uma divisão por uma muralha, onde de um lado há a metrópole com resquícios tecnológicos e do outro, uma montanha de lixo habitada por favelados e um deserto radioativo. Uma mulher (Melanie Griffith) mantém um armazém de conserto de robôs bizarras destinadas ao prazer no mercado negro. O retrocesso da tecnologia é representado pelos androides bizarros, máquinas desajeitadas que andam lentamente, se movem de forma barulhenta e tem visual antiquado. Falando nisso, aliás, os efeitos especiais não comprometem. A opção por máquinas criadas sem a ajuda de computação, com efeitos mecânicos, funciona para traduzir uma sensação de bizarrice e decadência. 

Mas se o visual é o grande trunfo, e a temática daria um filmaço, o resto vem abaixo. Banderas, careca, acredita no filme, mas é canastrão e alguém melhor poderia fazer mais pela produção. Melanie Griffith, com a cara deformada de plástica, é quase uma androide disfarçada de ser humano e pouco faz pelo filme. A esposa de Jacq está lá apenas para fazer parte de sequências clichês no final, justamente algo que o filme tentava fugir no primeiro ato. Outro grande problema está na falta de vigor da produção, que passa se arrastando - a falta de ação durante os dois primeiros atos do filme é sintomática - e nas coisas que acontecem sem nenhuma explicação no roteiro. A morte de um dos personagens por duas crianças chega e sequer é sentida pelo espectador, por exemplo. Em outro momento, mais personagens são mortos gratuitamente. Há diálogos ridículos entre robôs e humanos e linhas explicativas que poderiam muito bem ser traduzidas apenas em imagens, como se o roteiro subestimasse a inteligência do espectador. O filme passa e temos a terrível sensação de que não chegará a lugar algum, começando a degringolar do meio para o final. Completam o pacote o terrível ato final do filme, com direito aos robôs construindo uma barata transformer cibernética de estimação de fazer qualquer Michael Bay gargalhar de felicidade.

Cotação: 1,5/5  

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