domingo, 19 de outubro de 2014

Extraterrestrial - 2014






Por Jason

O texto a seguir está cheio de spoilers.


Tem tanta coisa errada em Extraterrestrial que levaríamos um bom tempo listando, mas podemos ao menos fazer um apanhado geral dos principais absurdos dessa produção de terror e ficção de baixo orçamento. E não é por se tratar de baixo orçamento, claro, que um filme precisa ser tão ruim. Tudo na produção parece dizer para o espectador que o filme poderia se chamar "manual prático do que não fazer em um filme nesse tipo". Se o trailer do filme podia até enganar, logo os primeiros minutos demonstram que Extraterrestrial será uma bomba de quinta categoria.

O filme começa com uma mulher nervosa pedindo socorro em um estabelecimento. O homem não a deixa entrar e ela vai para uma cabine telefônica pedir socorro. Nesse momento, os ETS recolhem a cabine - provavelmente para ligarem para casa - mas como o telefone não funciona, eles cospem a cabine e ficam com a mulher. Corta para April, cujos pais a tratam como se ela fosse uma criança e a atriz, com cara de quem tomou um laxante, finge que está se sentindo presa e sufocada. April quer partir para uma viagem, e seu namorado convida três retardados amigos para caírem na estrada e ir a uma cabana. Em contrapartida, um xerife investiga fenômenos estranhos, como animais que aparecem mortos pelas redondezas, situação que vai culminar no reencontro com a sequestrada pelos ETs que explica o que está havendo - porque, mesmo vendo vídeos quase explicativos, ele ainda é incapaz de sacar (!).

A partir daí a coisa piora (ainda dá, acreditem...) para o espectador e o roteiro, mais esburacado que a lua. April descobre com sua amiga maconheira que o vizinho, amigo de longa data da família, ainda vive por lá - mantendo, por sinal, uma plantação de maconha no quintal. O velho ex militar está fiscalizando o céu - ao invés de se preocupar em arrumar o muquifo em que vive - e aí se depara com um objeto não identificado. Mais tarde, April e seus amigos descobrem que um OVNI caiu perto da casa e da nave espacial um ET sobrevivente resolveu sair por aí para trolar quem aparecer pela frente. Claro, qualquer pessoa normal sairia dali gritando por socorro e por ajuda. Mas April costumava caçar com o pai quando criança e descobriu por um desses milagres divinos do cinema uma escopeta ainda guardada no porão de casa (!). Após tentar matar um ET anoréxico com um tiro de escopeta (ele resistiu, acreditem...), o grupo só então resolve fugir. 

Surgem coisas mais tenebrosas que os aliens magricelos. Na fuga, April e os amigos se deparam com uma nave espacial gigante. Uma das meninas do grupo, a coadjuvante descartável, resolve se oferecer para ser abduzida cinco minutos depois de estar gritando por causa da nave espacial (por motivos que o roteiro não conhece, muito menos o espectador). Outros ETs desembarcam e o grupo vai precisar lutar contra eles depois de se unir ao xerife. Acontece que é impossível não rir com o ET X-MEN, que com os poderes telecinéticos induz o xerife a causar uma tragédia matando seu parceiro inútil e se matando em seguida (!). Por qual motivo ele foge da primeira vez que encontra o xerife, quando poderia simplesmente matá-lo, é um mistério insondável. April atrai uma nave alien com fogos de artifícios para resgatar seu namorado (!), vai para o espaço e o salva milagrosamente, descobrindo o corpo dentre um milhão de pessoas presas em um tipo de colmeia. Depois, ela é descoberta pelos aliens, mas ao invés de ser morta com o namorado, os dois são enviados de volta inexplicavelmente para a Terra. Ao chegarem a Terra, eles são simplesmente assassinados pelo exército que cuidava da área da queda do disco voador. E o filme termina nisso.

Extraterrestrial ainda copia descaradamente outros filmes famosos. Os abduzidos são postos em espécies de casulos como em Alien. A desculpa esfarrapada é para estudos, mas quase ninguém sai vivo de lá, já que um maquinário como o de Matrix tortura e mata os abduzidos usando uma sonda anal giratória. Para completar, o elenco é desastroso. Ninguém é capaz de criar qualquer grau de drama e nem de transparecer terror e medo. Pior é o mote secundário: o drama se resume ao namorado de April, que quer casar com ela, mas ela não quer. A direção não consegue criar uma cena digna de nota, mesmo apelando para sangue de alien gosmento, cabana sem luz e ET batendo à porta de casa pedindo para entrar, clichês e mais clichês. Cenas que deveriam causar medo provocam risos involuntários. De tão terrível, ver um dos personagens pé no saco morrendo com uma sonda anal giratória acaba se tornando um destes prazeres recompensadores para tamanho desastre. 

Cotação: 0/5

2 comentários:

  1. Excelente crítica.
    O final ,após a namorada do cara chamar os ets com os fogos de artifícios, memso eles já estando quase no espaço, poderia ser bem interessante.
    Mostrando os tais "estudos", seria uma ideia legal para um terror mais pesado.
    Mas aí...do nada...voltam a terra abraçadinhos e morrem pelo exército.

    0-O

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  2. Bom filme recomendo mesmo.
    Neste filme não á heróis só a triste realidade humana no final porque se fosse na realidade não seria muito diferente.

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