terça-feira, 14 de outubro de 2014

Grace - A princesa de Mônaco - 2014





Por Jason

A trama de Grace abrange um período de 1961 a 1962 quando Grace Kelly, já uma das mulheres mais bonitas do cinema e premiada com um Oscar de Melhor Atriz, tinha abandonado a carreira artística cinco anos antes em Hollywood para viver em Mônaco com o seu marido, o príncipe Rainier. 

No filme, Grace começa sendo retratada como uma mulher cheia de personalidade, que dizia o que pensava para quem fosse e isso ia de encontro com os valores da realeza. Por trás do aparente conto de fadas mostrado pela mídia, Grace enfrentava o preconceito por ser americana e não se enquadrar nos padrões da sociedade da época. Seu casamento, cinco anos depois, estava indo por água abaixo e, paralelo a isso, seu marido estava num combate político envolvendo o presidente francês Charles de Gaule. Grace foi convidada por Alfred Hitchcock a estrelar um filme seu, mas o marido dela o proibia. Ao perceber que estava sozinha e que o marido parecia apaixonado não por ela mas por sua imagem de estrela, Grace planejava abandonar o palácio e voltar para a sua família. 

Contudo, seus pais sempre tiveram sua irmã como preferida e sua mãe não parecia ter com ela um diálogo que ela julgasse normal entre mãe e filha. Decidida, Grace começa a aprender tudo, desde a maneira como se comportar até a história política, social e econômica do lugar. Caso Mônaco não pagasse impostos à França e acabasse com o paraíso fiscal existente, o principado seria invadido dentro de um prazo de seis meses. Em meio às inevitáveis tensões, Grace e Rainier buscavam resolver seus problemas tentando evitar que eles causassem o tão temido divórcio - até ela conseguir, em um discurso, minimizar os problemas políticas e ser assim a esperança que as pessoas esperavam.

Os problemas do filme são dos mais variados e já começaram na produção, com o produtor Harvey Weinstein cortando o filme. Depois, a família real chiou ao ver o resultado e quando foi para Cannes, a crítica o metralhou. Apesar da boa reconstituição de época, o roteiro atira para todos os lados. Tenta embutir uma história de romance, um drama familiar, uma intriga política e não se sai bem em nenhum dos gêneros porque não se aprofunda em nenhum deles. Segundo o filme, o maior papel da vida da atriz não estaria nos cinemas, mas seria o de princesa, o de líder, o de mãe dedicada e esposa fiel, já que, para ele, Grace fingia em tempo integral algo que estaria cansada de ser. 

Há outras coisas mais. Maria Callas cai de paraquedas na trama, sem muita função - e a atriz que a representa passa batido. Os protagonistas se esforçam, mas Nicole Kidman, dedicada em captar os trejeitos e voz de Grace, surge um tanto deslocada dentro do filme - não sei se de forma proposital, já que a personagem tenta encontrar seu próprio espaço naquele universo chique - e olha que Nicole é experiente em trazer para a tela mulheres complexas que vivem dentro de prisões emocionais, como mostrado em As horas e Rabbit Hole. De qualquer modo, é estranho aliás que o diretor do filme seja o mesmo de Piaf, que conseguiu arrancar uma atuação memorável de Marion Cotillard e aqui deixa Nicole completamente de mãos atadas e apagada, com uma atuação rasa e vazia. Não conseguimos nos conectar com Grace, não conseguimos sentir seu desespero naquele eterno ar blasé de Kidman. Sobra a princesa, falta o ser humano real em Grace.

Nesse sentido, é Tim Roth que se sai mais real, como o teimoso Rainier, que estava perdendo não apenas o jogo político mas a própria esposa. Joga contra o time a opção por filmar a vida dela também como um conto de fadas Disney, que deixa a coisa toda com uma estranha aura superficial a começar pela fotografia, que é bonita, mas só ajuda no clima insosso. Se seguisse apenas na linha dramática de que Grace era uma mulher infeliz, solitária e talvez arrependida pela sua escolha, além de despreparada para a função, talvez o filme resultasse em algo mais palatável e emocionalmente profundo. O resultado, porém, é indigesto: como curiosidade sobre a vida da princesa, o filme ainda desperta interesse. Como biografia, é um amargo fiasco.

Cotação: 1/5 

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