sexta-feira, 3 de outubro de 2014

O mundo perdido - Jurassic Park - 1997





Por Jason

Continuação do sucesso O parque dos dinossauros, o filme traz de volta o personagem de Jeff Goldblum, Ian Malcolm, e agora muda a ação para a Ilha Sorna, chamado de Sítio B, onde os dinossauros eram criados antes de serem mandados à Ilha Nublar (local do primeiro filme) para serem expostos ao público. 

Conforme explica John Hammond, agora ambientalista e a esta altura com o pé na cova e sem o controle da empresa InGen - que perdeu para o seu sobrinho -, Hammond precisou enviar uma expedição para lá com o intuito de documentar a vida dos animais pré-históricos e apresentar ao mundo sua criação, fazendo do lugar um santuário proibido para todos, preservando as espécies que lá vivem. Mas seu sobrinho partiu em disparada e, desejoso por fazer uma montanha de dinheiro, construiu um parque em San Diego, para abrigar as espécies que serão capturadas por sua equipe de caçadores nesse sítio. Na viagem de Hammond embarca a namorada de Ian, Sarah Harding (Julianne Moore), e Ian vai atrás dela levando sem querer a tiracolo sua filha. Os dois grupos se encontrarão na ilha e acabarão juntos se quiserem sair com vida de lá.

Baseado no livro homônimo de Michael Crichton, cujos direitos já estavam comprados muito antes do escritor digitar a primeira letra, o que há de bom na produção está resumido nos seus efeitos especiais (indicados ao Oscar) e ao clima de ação e aventura, sem dúvidas. Se não assustam como no primeiro filme, ao menos todos os efeitos parecem melhor acabados e consistentes, beneficiados pela evolução tecnológica da indústria dos efeitos especiais em apenas quatro anos - tempo entre o segundo e o primeiro filme. Os animais parecem mais realistas, surgiram novas espécies, há sequências bem elaboradas com os raptores e outra envolvendo uma cachoeira saída diretamente de um dos livros de Michael Crichton. Julianne Moore mostra sua versatilidade desde sempre, capaz de encarar dramas pesados e aventuras como essa com a mesma competência. O ponto alto do filme é a sequência de um trailer dependurado em um penhasco, que começa de maneira excelente e cheia de tensão - mas é finalizada de modo um tanto desastroso pelo roteiro.

Aliás, falando de roteiro, os problemas da franquia Jurassic Park nos cinemas começaram justamente com o segundo filme, não a toa indicado ao Framboesa de Ouro de pior sequência e pior roteiro. O espectador precisa suportar uma série de coisas que soam mais absurdas do que os próprios dinossauros, a começar pela presença da filha do personagem Ian, Kelly. A menina clone de Daiane dos Santos está ali de enfeite - e faz o espectador tolerar suas piruetas nas barras assimétricas em determinada hora do filme para livrar o papai das garras de um raptor. Como nos outros filmes, os atores mirins não decolaram. O grupo de coadjuvantes é na verdade mera figuração, já que só serve para virar comida na boca de dinossauro, e um dos vilões do filme, o sobrinho de Hammond, deveria ser processado pela burrice. 

Spielberg encarna seu King Kong nas sequências finais completamente desnecessárias, diga-se de passagem, porque o filme poderia ser finalizado de maneira melhor. Com um navio - Venture, como em Kong, por sinal - ele leva um tiranossauro para sapatear nas ruas de San Diego, tomar água numa piscina, comer um cachorro, dar cabeçadas num ônibus e comer o roteirista do filme (o idiota que corre em direção a um estabelecimento, David Koepp). Cenas que em nada avançam a trama pipocam na tela junto às atitudes questionáveis de personagens, que incluem pegar um tiranossauro bebê para cuidar (?) atraindo assim os pais furiosos da criança jurássica. Só o que resta ao espectador é desligar parte do cérebro, aproveitar o visual e embarcar na aventura.

Cotação: 3/5

Um comentário:

  1. Adorei a crítica. Amo esse filme, mas preciso admitir que algumas partes são bem forçadas (coisa que só constatei após assistir o filme muitos anos depois...). Mas é inegável que ele tem momentos bons, como os ataques do casal T-Rex, e que é um filme muitíssimo melhor que o horroroso JP3.

    E o David Koepp sendo comido pelo Rex... de tão absurdo seja a ser engraçado. hu3

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