segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Sinal de perigo - 1985






Por Jason

Na trama de Sinal de perigo, o Bio Tek, um suposto centro de pesquisa agrícola, é na verdade um laboratório ultra-secreto para o desenvolvimento de armas biológicas. Quando acontece um sério acidente, que libera uma bactéria mortal, o sistema de segurança do complexo lacra o prédio com várias pessoas dentro. Lá acontece uma luta pela sobrevivência, pois todos os contaminados antes de morrerem se tornam loucos assassinos. Connolly (Yaphet Kotto, de Alien), um agente do governo, tenta controlar a situação enquanto fala várias mentiras para esconder os fatos. Cal Morse (Sam Waterston), o xerife local, quer descobrir a verdade e, se possível, salvar Joanie Morse (Kathleen Quinlan), sua mulher, que trabalha como segurança no laboratório. Assim ele procura Dan Fairchild (Jeffrey DeMunn, de The Walking Dead), um pesquisador que já trabalhou na Bio Tek, e juntos tentam entender por qual motivo Joanie não foi contaminada. Se conseguirem a resposta poderão fabricar uma antitoxina, caso contrário as conseqüências serão imprevisíveis.

O começo do filme é até interessante, mas menos de meia hora depois mostra que não passa de mais um das tosqueiras dos anos 80. Embora não seja propriamente um filme de zumbis - as pessoas dentro do complexo são mais psicóticas do que zumbis -, traz ideia copiada de qualquer produção do gênero. Semelhanças, aliás, poderão ser notadas em filmes como Resident Evil, O enigma de Andrômeda e Síndrome da China, com a diferença que aqui não há preocupação de se levar muito a sério, já que a direção é frouxa, não há um drama digno de nota, a trilha quase inexiste -  quando existe é terrível - e a cenografia é pobre de dar pena, com notáveis improvisos e remendos de fazer cair o queixo de qualquer fã trash

Os doentes terminais, por exemplo, trazem apenas bolhinhas amareladas para sinalizarem que estão doentes e o agente biológico, para complicar ainda mais a aberração do roteiro, brilha no escuro. Coisas absurdas pipocam na cara do espectador indefeso: segundo o doutor, a personagem Joanie descobre que detém imunidade devido ao fato de estar grávida. Mas o roteiro explica que para deter a toxina é necessária uma fórmula contendo um remédio, que é produzida pelo doutor em tempo recorde e, claro, o tal remédio Joanie não produz naturalmente. O dono do centro biológico surta mas, ao invés de seguir o padrão comportamental agressivo dos outros contaminados, simplesmente se mata (?!) no ápice do filme sem nenhuma explicação plausível. Paremos por aqui.

Em termos de atuação, ninguém se destaca. Kathleen Quinlan não é um desastre - ela seria indicada dez anos mais tarde para o Oscar de coadjuvante em Apollo 13, em que faz a mulher de Jim Lovell, o astronauta interpretado por Tom Hanks - e pode ser vista em filmes recentes. Mas não soube o que fazer com sua carreira e aqui parece completamente desperdiçada. Os outros são piores. Sam Waterston tem a cara da comédia, é mais conhecido por papeis na televisão e não convence como o xerife da cidade. De bom, com muito esforço, é o fato de que sua temática em tempos de Ebola torna essa esculhambação toda um tanto atual: para a imprensa, o personagem Kotto inventa mentiras, que, depois de um certo momento, acabam saturando e provocando uma revolta na população que decide invadir o complexo. Kotto, aliás, parece estar rindo o tempo todo, como se soubesse que o filme não deveria ser levado a sério. E não deve ser mesmo.

Cotação: 1/5

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