terça-feira, 4 de novembro de 2014

A costa do mosquito - 1986





Por Jason


Baseado no livro de Paul Theroux, Allie Fox é um excêntrico inventor estadunidense que vende sua casa e se muda com a família para um país da América Central, onde pretende construir um fabricador de gelo no meio da floresta. Fox compra uma cidade sem vê-la - na verdade, uma vila indígena no meio da floresta, à beira de um rio. No começo, há uma terrível dificuldade, principalmente no fato de que Fox é pai de quatro crianças e todas elas são obrigadas a trabalharem pesado. Fox consegue fazer sua máquina de gelo e ajudar os moradores da região, com a alegação de que o gelo pode ser usado, além para refrescar a água, como um analgésico e como uma forma de aliviar o calor da região através de ar condicionados improvisados.

Os problemas não tardam a aparecer. Sua família, em especial os filhos, sentem falta das facilidades da cidade. Fox também tem problemas com um pastor local, que se posiciona contra ele como se Fox fosse um faraó que está tirando seguidores da igreja. Além da natureza, a determinada altura, Fox acaba tendo que lidar com três guerrilheiros que surgem na vila armados e querem se manter por lá. Ele arma um plano para matar os homens, levando-os para dentro da máquina e tentando congelá-los, mas os homens disparam contra a máquina e ela, abastecida com gás, acaba mandando tudo pelos ares. Sem casa, Fox não aceita que deve voltar para a América e acaba fazendo uma cabana na beira do mar. Ele ignora os avisos de um conhecido que na primeira tempestade que tiver, tudo irá pelos ares e a família morrerá afogada.  

Harrison Ford consegue traduzir toda piração e determinação de Fox, um verdadeiro psicopata que planeja instalar uma sociedade que ele considera como perfeita: de um homem construtivo ele se revela um homem egocêntrico e destrutivo rapidamente. O Fox é um homem visionário e paranoico na mesma proporção, que não tem ideia do quão nocivas suas invenções podem ser. É também teimoso, de desapego extremo a civilização, o que acaba fazendo em sua vila aquilo que ele não queria que acontecesse com a América de onde ele partiu. No caso da máquina de gelo, a explosão por exemplo, acaba destruindo não apenas a vila, mas também a natureza em volta, impossibilitando de continuarem na região. O papel de homem ranzinza e cabeça dura altamente destrutivo que não percebe o quão perigoso é para sua própria família cai muito bem a Ford. O filme ainda traz nas entrelinhas uma crítica pesada a sociedade moderna, nos dando uma ideia de que quanto mais tentamos nos afastar dela - mais enlouquecemos. 

A Helen Mirren não resta muito a fazer como a mulher de Fox, que aceita o que o marido impõe sem sequer pensar em um futuro para os seus filhos, até o seu colapso nervoso, já que não suporta mais toda a piração do marido. O filme ainda tem River Phoenix, como o filho mais velho de Fox e outros personagens que não dizem a que vieram. Peter Weir, de A sociedade dos poetas mortos, dirige o filme como sempre, no marasmo, e o filme só engrena a partir da meia hora final, o que pode impedir o espectador de se conectar com a trama. O próprio papel de Ford, aliás, não é o de um homem simpático aos olhos do público - Fox é um cara detestável, psicótico, ignorante, que ignora os anseios de seus próprios filhos. Como adaptação, por manter o perfil do personagem original que cria situações absurdas para a sua família, funciona. Como drama, contudo, deixa a desejar.

Cotação: 3/5

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