domingo, 9 de novembro de 2014

O pescador de ilusões - 1991







Por Jason

Em O pescador de ilusões, Jeff Bridges é um locutor famoso de rádio, Jack, com um programa de grande audiência. As pessoas entram em contato com ele procurando ajuda e Jack acaba debochando e fazendo piadas das situações. Um dia, um homem atormentado entra em contato com ele e, seguindo seus conselhos, acaba causando uma tragédia e se suicidando em seguida ao invadir um estabelecimento e disparar contra as pessoas. 

Bêbado e em pânico, três anos depois Jack vive sustentado pela namorada Anne, dona de uma vídeo locadora de última categoria. Ele se bate por acaso com Parry, um homem desequilibrado com quem acaba desenvolvendo empatia. Jack acaba descobrindo que Parry era um ex professor de literatura medieval, que virou um mendigo e está sofrendo de esquizofrenia imaginando cavaleiros e que ficou nessa condição depois do assassinato de sua mulher, por quem era apaixonado. A mulher, não por acaso, foi uma das vítimas do ouvinte de Jack. Parry está apaixonado por uma garota e Jack, sentindo-se culpado pelo que aconteceu a ele, decide ajudá-lo como forma de amenizar as coisas e do peso de sua culpa. 

Terry Gilliam dirige um filme em tom de fábula misturando drama, comédia e fantasia para tratar de assuntos espinhosos como depressão, trauma, psicose e esquizofrenia. O Jack de Bridges é um homem que desenvolveu pânico das pessoas e, desequilibrado, vê em outro desequilibrado uma forma de tirar o peso de sua consciência. Erra (ele oferece dinheiro, achando que isso resolveria toda a situação), mas ao final consegue entender a duras penas o real significado da parábola contada por Parry sobre o Rei Pescador: 

Começa com ele menino, tendo que passar a noite na floresta para provar sua coragem e ser rei. Enquanto está só, ele tem uma visão sagrada. Através do fogo, surge o Santo Graal, símbolo da graça divina. Uma voz lhe diz que guarde o Graal a fim de curar o coração do homem. Porém, o menino só pensava numa vida cheia de poder, glória e beleza. E, em estado de surpresa total, sentiu-se, não como menino mas invencível, como Deus. Aproximou-se do fogo para pegar o Graal e o cálice sumiu. Ele ficou com as mãos no fogo, queimando-se gravemente. Enquanto ele crescia a ferida se aprofundava. Até que, um dia, a vida perdeu o sentido para ele. Não tinha fé em ninguém, nem em si mesmo. Não podia amar e nem se sentir amado. Ficou transtornado com a experiência. Então, começou a morrer. Um dia, um tolo entrou no castelo e viu o rei sozinho. Sendo tolo, era ingênuo, e não viu um rei. Viu apenas um homem solitário, sofrendo. Perguntou-lhe por que sofria. E o rei respondeu: “Tenho sede, preciso de água para molhar a garganta”. Então o tolo pegou um copo ao lado da cama, encheu-o de água e deu ao rei. Ao beber, o rei percebeu que sua ferida havia sarado. Olhou para as mãos e viu o Graal que tanto buscara. Virou-se para o tolo e perguntou: “Como achou algo que meus homens não conseguiram?” O tolo respondeu: “Não sei. Só sabia que você tinha sede”.

O filme, aliás, se sustenta na loucura de Parry. Seu personagem protagoniza ao menos uma bela e inesquecível cena, aquela em que as pessoas estão na estação caminhando apressadamente e de repente começam a dançar uma valsa. Jeff Bridges se esforça, mas some diante das interpretações bem calibradas de Robin Williams (indicado ao Oscar de Melhor Ator) e Mercedes Ruehl, como a namorada espalhafatosa Anne, pelo qual a atriz recebeu o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante e desapareceu do cinema. O filme ainda tem uma atuação no mínimo bizarra de Michael Jeter, de bigode, cabelo loiro e vestido de mulher, que se destaca fazendo uma apresentação desconcertante no trabalho do interesse amoroso de Parry. Deve-se descontar o ritmo sonolento e quase parando do filme para embarcar na viagem fantástica de dois heróis modernos desajustados em busca de redenção.

Cotação: 3/5

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