sábado, 29 de novembro de 2014

Os Boxtrolls - 2014





Por Jason


Terceira animação do estúdio Laika (Paranorman, Coraline), traz a história de uma criança que é criada por pequenos monstrinhos simpáticos, trolls diminutos que vivem dentro de caixinhas encontradas nos lixos e se reconhecem entre si pelos nomes que há em suas embalagens. Além disso, são ótimos inventores, criando um mundo cheio de utilidades com o lixo que eles encontram pelas ruas.

 


O vilão Arquibaldo Penélope Surrupião acusa os trolls de levarem um menino e de o devorarem, espalhando o pânico na cidade. Ele se oferece para exterminá-los com o objetivo de alcançar o status de ter um chapéu branco, que lhe dará acesso a uma mesa degustadora de queijo - mesmo o vilão sendo completamente alérgico a iguaria. Sua futilidade é proporcional a falta de cuidado e de tato do Lorde com sua filha, que ignora completamente a menina e se preocupa apenas com sua mesa de queijos dos mais variados. A menina descobrirá a verdade sobre o garoto - ele está vivo, cresceu e é bem cuidado pelas criaturinhas que não são nada daquilo que apregoam - e o ajudará a derrotar Surrupião não sem antes, claro, os trolls se meterem nas maiores confusões. Pior: o vilão se veste na pele de uma bizarra mulher, a Madame Frou Frou, para conquistar as pessoas com suas apresentações teatrais, o que garante algumas das cenas mais absurdas da animação!

O visual é excelente. Tudo é muito criativo, desde o desenho das criaturas medrosas, até os cenários onde elas vivem, construídos com o que eles encontram de objetos descartados pelos humanos. A cidade dos humanos contrasta ambientes sem cor e sem vida, potencializado pelos prédios vitorianos velhos e ruas escuras e desertas que parecem viver em uma noite constante, com apresentações coloridas durante o dia e a luminosidade dos subterrâneos onde vivem os boxtrolls. O vilão então é um show a parte: além da aparência horrível, ele acaba se transformando em um verdadeiro monstro ao ter reação comendo queijo - e termina seu reino de maldade de forma mais do que satisfatória. A animação é realizada com técnicas de stop motion, mas traz também notáveis inserções de computação gráfica, tudo de maneira orgânica, já que este serve nitidamente às cenas mais complexas que envolvem efeitos visuais. O elenco da dublagem conta com atores como Ben Kingsley, Simon Pegg e Elle Fanning.

Mas é preciso desculpar de furos do roteiro a outras coisas mais para curtir a aventura. O menino é criado por criaturinhas que rosnam e tem uma língua própria, mas a criança sabe falar a língua dos humanos sabe-se lá como, já que o vocabulário humano dos trolls é praticamente limitado aos nomes das embalagens. É quase impossível distinguir os trolls dentro de uma enxurrada deles - talvez o único de destaque seja o Peixe, que serve como um pai para o menino. Por falar em pai, a trama real do pai do garoto é solucionada de maneira um tanto repentina e mal elaborada: dado como morto, ele, um inventor como os boxtrolls, reaparece como louco. Os personagens que dão apoio ao vilão carecem de melhor trabalho de desenvolvimento psicológico - eles mudam de lado depois de uma rápida conversa com a menina no ápice da confusão. Nada que tire o brilho e o esmero da animação.

Cotação: 3/5

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