terça-feira, 4 de novembro de 2014

The Babadook - 2014







Por Jason

Seis anos após a morte violenta de seu marido, Amelia (Essie Davis) não conseguiu superar a perda dele. Seu filho Samuel (Noah Wiseman), está aparentemente sofrendo de algum problema mental, com seus surtos psicóticos repentinos. Samuel é para ela um filho que ela acha impossível de amar em virtude do acontecimento traumático. O menino também é atormentado por um monstro que ele acredita que está vindo para matar os dois. Quando um livro de histórias perturbador chamado "The babadook aparece em sua casa, Samuel está convencido de que o Babadook é a criatura com a qual ele está sonhando.

A mãe, é claro, não acredita, até ela começar a perceber que dentro da casa tem alguém além dos dois vivendo nas sombras e a coisa quer matar seu filho. Com o passar dos dias, as alucinações tanto do menino quanto dela começam a ficar fora de controle. O livro, mesmo rasgado e queimado por Amelia, dá um jeito de retornar para dentro de casa. A mulher vê a coisa aqui e acolá, na forma de vultos. Não dá para saber se o menino está sofrendo de algum distúrbio mental ou se Amelia é esquizofrênica, se os dois estão doentes ou se há mesmo um bicho papão dentro da casa até o começo do terceiro ato, quando tudo, por muito pouco, não vai por água abaixo.

A direção de Jennifer Kent acerta em dois pontos cruciais para que o espectador compre a ideia. O primeiro é a subjetividade, algo visto no recente Invocação do Mal (até algumas posições de câmera são idênticas, principalmente numa cena do quarto, em que ela aponta para o escuro). Quase nada se vê da criatura, que vive nas sombras, delineada por luz parca e que, quando mostra seu rosto, é em flashs rápidos. Tudo, aliás, é artesanal, principalmente os efeitos especiais pontuais, feito de maneira analógica, sem intervenção de CGI. O segundo é a aposta na química certeira entre mãe e filho a beira da loucura - quando se concentra no drama dos dois, o filme cresce e ganha consistência. O dueto cenografia e fotografia é outro ponto alto: o ambiente da casa é monocromático, quase sufocante por si só, com paredes sem muito colorido e luzes de abajur que mal iluminam os cômodos. Nota-se, por exemplo, que enquanto os personagens estão em casa, tudo parece tenebroso e sem brilho, diferente do mundo colorido do lado de fora - e isso fica salientado ainda com mais vigor na sequência final. Por fim o som é outro ponto chave na produção, principalmente na voz horrível da criatura.

Há pelo menos duas sequências no filme que são tensas e bem executadas. Em uma, Amelia está dormindo com o menino quando algo começa a bater na porta do quarto. Ao abrir, o cachorro da família entra. Pouco depois de voltar para a cama, o barulho retorna e a porta se abre, revelando a estranha criatura que invade o quarto repetindo o seu nome. Em outra, Amelia vê a criatura em um espelho na casa da vizinha, enquanto olha por sua janela. Junte a isso a performance excelente da dupla central e temos a razão do êxito da produção - o menino é por si só apavorante em seus surtos dentro do carro, aliás. Tanto Noah quando Davis acreditam no seus personagens e a relação que se desenvolve deles, volto a frisar, é quimicamente perfeita. Mas para todos acertos da produção, há também os pecados.

Babadook, super conectado como é, dá aquela ligadinha para a mulher apenas para causar espanto. Sequências se perdem no filme, como a do acidente de carro ou o encontro de Amelia com o marido que acaba virando a criatura. Coadjuvantes não se desenvolvem. E como citado, o terceiro ato começa a degringolar quando a mulher é possuída pelo caboclo, doida para matar o filho que, a esta altura, se mostra um verdadeiro Indiana Jones e um Exorcista de mão cheia atacando a mãe possuída de todas as formas possíveis (e a coitada sofre até com queda de escada, saindo toda esfolada ao final da sessão). É de lascar de rir. 

Como no citado Invocação do mal, a criatura que possui a mulher faz ela vomitar sangue satânico no porão, amarrada provavelmente para não sair voando e se estatelar nas paredes - dentre outros clichês que pipocam absurdamente na tela. O filme tem direito até um Poltergeist de última hora, com ventania no quarto e mãe segurando filho para não sair voando para outra dimensão. O final, com a criatura presa no porão - não dá para dar mais detalhes, se não estraga tudo - é imprevisível mas também no mínimo ridículo. Não precisava: o filme trilhava um caminho diferente de produções de horror e suspense que adoram o lugar comum. Ir para essa zona de conforto aos quarenta e cinco do segundo tempo quase destrói o seu saldo final.

Cotação: 3/5

Um comentário:

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