segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Uma secretária de futuro - Working Girl - 1988




Por Jason
Tess McGill é uma mulher humilde e ingênua, que não é formada e nem sabe se vestir corretamente, mas cheia de idéias, que vai trabalhar num escritório que lida com o mercado de ações, como secretária de uma conceituada executiva. Quando sua chefe quebra a perna numa viagem de lazer, Tess passa a ocupar seu lugar ao descobrir que sua ideia foi roubada e a mulher quer ganhar o crédito por isso. Ela se faz passar por uma executiva e ao propôr uma inteligente jogada financeira, Tess recebe o apoio de Jack Trainer, um grande empresário. Os dois acabam se apaixonando, mas existe um problema: ele é o namorado da sua chefe.

É com essa linha de roteiro simples e clichê que Uma secretária de futuro se desenvolve, trazendo uma "heroína do mundo real", uma mulher que tenta provar que pode ser bem sucedida tanto quanto um homem no mundo dos negócios. Ela, claro, não está sozinha. Não a toa, quando Sigourney Weaver surge na tela em uma festa com convidados, ela está vestida para matar - de vermelho - enquanto seduz os homens e procura fazer negócios. A diferença principal entre as duas está na atitude. "Se vista pobre, e os homens perceberão o seu vestido - ensina Katherine - Se vista impecavelmente, e eles perceberão a mulher".Tess está tentando mostrar o seu talento sem sua aparência a seu favor e Katherine sabe muito bem como usar isso para conseguir o que quer. Neste mundo cão, aliás, a maioria das mulheres são tratadas apenas como objetos - o chefe anterior de Tess praticamente é um "cafetão" e Kevin Spacey surge em uma participação, como um homem que quer apenas levar Tess para cama com promessas de emprego. 

Há coisas mais interessantes que podemos pinçar do filme, diferentemente de outras comédias românticas que o cinema desovou nesses mais de vinte anos desde seu lançamento: o tratamento da direção de Mike Nichols, e o fato de que o filme escapa de ser mais um ao se apoiar nas interpretações bem calibradas do trio feminino protagonista - Melanie Griffith, Sigourney Weaver e Joan Cusack, as três indicadas ao Oscar pelo filme em interpretações que não envelheceram. Melanie passa toda a doçura e ingenuidade da heroína Tess, bem como a sua mudança, de mulher desleixada e que nunca está feliz com o destino que lhe foi dado pela vida a uma mulher determinada a mudar esse quadro. Tess foi sabotada pelo companheiro, flagrado na cama com outra, e enganada pela chefe -, mas é honesta, inteligente e tem clareza suficiente para saber que pode fazer e ser mais do que é na vida. Diferente, por exemplo, de sua amiga Cyn. 

A personagem de Joan Cusack é uma mulher satisfeita com o pouco que tem e com a vida que leva. Não possui ambições, pouco espera da vida, e está contente com seu noivado que a levará a seu casamento. Joan serve também como alívio cômico e, tomada por sua cabeleira bizarra e maquiagem berrante, parece até saída de um clipe da Lady Gaga. Do outro lado está Sigourney Weaver, no papel de Katherine Parker. Parker é uma mulher aproveitadora, cínica e dissimulada, que passa aquela ideia de confiança e apoio, mas que no fundo só se interessa pela sua posição profissional, de onde pode explorar os outros e pouco se importar com alguém que não seja ela mesma. Por mais que seja pé no saco, Parker tem seus motivos ao adotar sua postura - a de sobreviver no mundo dos negócios - e em muitas atitudes está com a razão o que dá a Weaver, apesar de pouco tempo em cena, explorar sua tridimensionalidade.

O filme ainda foi indicado ao Oscar de Melhor Filme e Melhor Direção, além de ter recebido o prêmio da Academia na categoria Melhor Canção e ter recebido Globos de Ouro na categoria de comédia. Para aprecia-lo, deve-se descontar o fato de ser um filme datado dos anos 80, onde as mulheres exibiam visuais extravagantes e absurdos e a trilha sonora era igualmente excessiva (e ela não casa com o filme, diga-se de passagem). Harrison Ford surge em cena canastrão, com pouco a fazer como Jack - tal qual Alec Baldwin, que num filme dominado por mulheres serve apenas de homem objeto.

Cotação: 3,5/5

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