sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

A teoria de tudo - 2014





Por Jason

Quando tinha apenas 21 anos, Stephen Hawking já tinha conhecido sua futura esposa, Jane Wilde, uma estudante de literatura francesa e espanhola, e já era um brilhante estudante de física da Universidade de Oxford. Seus pais eram um biólogo pesquisador que trabalhava como parasitólogo no Instituto Nacional de Pesquisa Médica de Londres, e uma dona de casa. Teve duas irmãs mais novas e um irmão adotivo. Até ali, Hawking sempre foi interessado por ciência e vivia suas promessas de amor, apaixonado por Jane. Até que começou a sentir seu corpo mudar, sua mão direita atrofiar e seus movimentos ficarem cada vez mais complicados: Hawking descobriu que era portador da esclerose lateral amiotrófica (ELA).

A doença corta as conexões cerebrais com os músculos, deixando a pessoa completamente atrofiada, sem contudo danificar o cérebro. Os médicos lhe deram apenas mais dois anos de vida. Jane, por inocência, amor e um pouco de esperança, decide com Stephen se casar e juntos enfrentarem assim a doença. A situação, porém, passou a ficar mais difícil na mesma proporção que Stephen era condenado a uma cadeira de rodas pelo resto da vida e a doença lhe tirava os controles dos movimentos, deixando-o dependente de ajuda. Mesmo condenado pela doença, Stephen prossegue com seus estudos, na busca por uma teoria que explique todas as forças que regem o universo enquanto Jane tenta fazer com que a vida familiar caminhe da melhor maneira possível, abdicando de uma vida e de seus sentimentos por outro homem em troca de cuidar de Stephen e dos filhos como uma família que ela consideraria normal. Ao final, Stephen se separaria de Jane e se casaria com sua enfermeira quase trinta anos depois de casado.

Eddie Redmayne se esforça para compor o personagem, captando os trejeitos e os movimentos de Stephen, num esforço físico e mental que lembra o de Daniel Day Lewis em Meu pé esquerdo. Acima da doença do
biografado, o ator consegue passar toda a clareza do personagem em saber que precisa abdicar de seu amor por Jane para que ela tenha uma vida como a de outra pessoa, razão pela qual a rejeita ao descobrir a doença e mais tarde a incentiva a viver a vida. Ele consegue compreender também que Stephen é um desafio a humanidade, já que desafiou os médicos ao sobreviver aos dois anos que lhe deram e resistiu a uma pneumonia que o obrigou a fazer uma traqueostomia - os médicos consideraram até mesmo dar a ele uma morte indolor pois acreditavam que ele não resistiria. É um homem que superou as expectativas médicas, cientificas e pessoais e é sem dúvidas, um bom trabalho do ator.

Abaixo dele está Felicity Jones. Apesar da boa caracterização, falta a Jones estofo dramático para ser a pessoa que ficou por trás de Stephen durante todo o tempo. Por trás de uma história sobre a busca por desvendar os mistérios do tempo de uma das mentes mais brilhantes ainda em atividade, há uma história de amor, superação e de sofrimento que curiosamente nem Jones e nem o filme conseguem atingir um ápice. O terceiro ato é um tanto corrido, com Jane e seu envolvimento com um padre, além do envolvimento de Hawking com a sua enfermeira Elaine, tudo apressadamente. Falta maior elaboração também na relação de Hawking com a própria família, com os pais e irmãos, subtraída do roteiro. Sem falar em um ou outro momento de pieguice e de coadjuvantes que entram e somem da trama, reaparecendo muito tempo depois.

A teoria de tudo segue assim a linha de biografias convencionais, nos moldes de Uma mente brilhante, com boa reconstituição de época, caracterizações e uma ótima trilha sonora também, apostando no tradicional e em um personagem interessante da nossa história que merece ser conhecido. Se como drama o filme não derruba o espectador em lágrimas, ao menos como biografia não compromete o personagem principal nem sacrifica o espectador.

Cotação: 3,5/5

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