quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Burning Blue - 2013




Por Jason

O texto abaixo contém spoilers.

Dan e Willbert são amigos e parceiros das Forças Armadas americana. Logo no começo, os dois sofrem um acidente de avião em que o veículo é atacado por pássaros e cai no mar, forçando Dan a salvar o amigo. Willbert estava pilotando o caça no momento, mas Dan assume a culpa e inventa uma desculpa para o rapaz não ser punido e cortado pois ele sofre de astigmatismo e sua visão está piorando, o que impedirá de prosseguir na carreira.


Os dois são muito unidos e um tanto irresponsáveis, vivem de bebida e de casas noturnas de stripper. Willbert está casado e Dan está prestes a se casar também, quer constituir uma família, ter filhos, seguir com sua carreira. As operações militares correm normalmente na Marinha até que um acidente com um dos companheiros quase mina a carreira de Dan, pois as Forças Armadas enviam um investigador para acompanhar os passos dos rapazes e saber qual a parcela de culpa de Dan que era o responsável pela equipe. O substituto desse rapaz que faleceu é o jovem Matthew. É a partir daqui que a vida de Dan começa a mudar. 

Ao desembarcar em Nova York, Dan está um tanto perdido e Matthew, que conhece a cidade, o leva para um passeio para ver o Empire State. O clima entre os dois é estranho no começo, pois eles estão se conhecendo, mas aos poucos eles se entendem e aproveitam a cidade. Matthew conta a Dan um pouco sobre sua vida, já que era um rapaz solitário. A mãe deixou o pai, um neurótico religioso, pelo cunhado, abandonando a família; casou com a insuportável Tammy mas está em dúvida se deve seguir adiante com o casamento. Já Dan tinha uma carreira militar na família desde seu avô, passando por seu pai, apaixonados por aviação, mas demonstra não ter certeza se é exatamente isso que quer para a sua vida. 

Após uma noitada numa balada, os dois saem com duas mulheres com as quais se relacionam sexualmente, não sem antes serem vistos por outros militares. Durante o ato, porém, um sentimento acaba pegando os dois de surpresa, deixando a relação dos dois estranha. Willbert, homofóbico e alcoólatra, é um dos primeiros a notar o que está acontecendo entre os rapazes e a condená-los com insultos e piadas. Dan e Matthew não sabem como prosseguirem com a relação pois estão apaixonados um pelo outro e precisam manter a relação escondida. Até que a investigação flagra os dois juntos e Matthew morre num acidente, deixando Dan em maus lençóis pois os superiores concluem que eles tinham um relacionamento e começam uma caça as bruxas dentro das Forças Armadas para fazer com que os gays se assumam e sejam expulsos.

Com ares de Top Gun gay, o filme não é tecnicamente condenável, pelo contrário, e a direção também não é execrável. Lembra uma produção para a televisão ou capítulo estendido de uma novela. Os problemas são outros. O roteiro aborda de forma rasa e superficial o tema, já que nem no relacionamento dos dois rapazes há profundidade e fica difícil comprar a ideia de amor arrebatador entre os dois. As Forças Armadas aliás, são vistas de maneira desastrosa não pela perseguição aos gays mas sim porque só tem pilotos que passam mais tempo lhe dando prejuízos e destruindo aviões do que pilotando-os. O roteiro dá saltos na trama, salta por lugares e acontecimentos rapidamente, de forma que a morte de Matthew não é sequer sentida, mesmo servindo de veículo para Dan mostrar outra postura diante da sua sexualidade. Pior: onde foi parar o drama familiar de Dan, que tem um pai militar, seu superior, que acha que ser gay é uma aberração? O roteiro resume em apenas uma cena de segundos, que não funciona.

Quanto ao elenco, egresso da televisão, Trent Ford, como Dan é ruim, mas o Morgan Spector é pior ainda. Na pele do abrutalhado Willbert ele não consegue passar para o espectador a sensação de ser um homossexual enrustido que optou por ficar trancado dentro do armário e criar uma vida simulada para as pessoas, quando no fundo o que ele sente por Dan é muito mais do que uma simples amizade. Completam o elenco figuras que pouco tem a fazer como a alienada mulher de Willbert, que prefere ir atrás de Dan para lhe recomendar que chame sua ex namorada com a finalidade de viver uma vida de mentira.

Feito com o apoio da Lionsgate, esse filme independente tem pelo menos um detalhe interessante que vale a visita: um tema urgente, atual e difícil que deveria e merecia ser mais vezes discutido no cinema com atores mais conhecidos e maior distribuição. Em 1993, o presidente Bill Clinton prometeu acabar com a perseguição instituída a gays, lésbicas e bissexuais nas Forças Armadas Norte Americanas. O movimento, no entanto, foi barrado por políticos e por grandalhões militares. Para amenizar a situação, foi criada a política do "Não Pergunte, Não Diga" para que os soldados escondessem sua orientação sexual como uma forma bizarra de negociação, para não serem perseguidos ou assediados. Essa política absurda foi amplamente ignorada pelos comandantes militares e fizeram com que a carreira de 14 mil homens e mulheres treinados e qualificados fosse encerrada devido a sexualidade. A política foi abolida pelo presidente Obama em 2011, mas estima-se que a minoria ainda permaneça com medo de revelar a orientação sexual.

Se o filme não funciona como deveria, ao menos desperta atenção para o assunto.

Cotação: 1,5/5

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...