quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

O dia em que a Terra parou - 2008





Por Jason

A primeira parte de O dia em que a Terra parou, sintetizada na primeira meia hora de filme, é interessante. Um explorador em 1928 (Keanu Reeves) descobre no gelo de uma montanha da Índia uma esfera brilhante. No presente, o governo dos EUA descobre um objeto avançando a 30 mil km/s em direção a Terra. A doutora astrobióloga Helen Benson (Jennifer Connely) é chamada rapidamente junto com um grupo de cientistas pela Nasa e pelo exército, para criar medidas não preventivas mas sim com a finalidade de remediar o acontecimento, já que inicialmente, pensam se tratar de um meteoro que destruirá tudo ao redor de Manhattan.


O objeto se revela ser uma nave espacial que pousa no meio do Central Park. Da nave, em forma de esfera brilhante, uma estranha criatura sai para ter contato com os homens quando é acertada por um tiro. Em seguida, um enorme robô surge e, antes que começasse uma guerra, tudo é parado repentinamente. A criatura é levada para estudos e rapidamente revela que possui uma espécie de traje biogenético, como uma placenta, que envolve o verdadeiro corpo. A doutora Helen entende que é a forma que ele possui de se adaptar a atmosfera da Terra, já que para isso ele precisaria nascer aqui. Aos poucos, ela começa a evoluir até ganhar a forma de Klaatu (Keanu Reeves). Pronto, paremos por aqui.

A partir daí o filme engrena uma quinta marcha ladeira abaixo. O roteiro não consegue passar o tamanho da dimensão do problema para a humanidade, ficando restrito ao que se vê através dos noticiários na televisão e internet e centrando o foco no personagem de Reeves e no drama familiar xoxo de Connely, o que é terrivelmente desinteressante. Sem essa dimensão do caos e do pânico, o filme flutua, como se fosse uma série de tv pobre - e aqui, por mais que pareça ridículo, falta um senso de destruição até que um roteiro porco de Roland Emmerich consegue fazer. Talvez porque a base dessa refilmagem seja o filme de 1951, uma ficção B que sobrevive ao tempo com sua sólida mensagem anti armamentista, afinal quando o original foi lançado, tratava-se do período pós guerra e havia o medo do mundo simplesmente vaporizar numa explosão atômica. Lá, no filme da década de 50, o clima era sombrio e o filme em si parecia mais sério. Tudo na refilmagem, por sua vez, parece excessivo, até mais espalhafatoso que o original com seus caquéticos efeitos especiais.

O drama dessa refilmagem capenga se dilui no objetivo de Klaatu, um alien eco chato que veio com o papo de proteger a Terra dos seres humanos, já que estes estão destruindo o meio ambiente. Ele traz consigo uma série de esferas brilhantes com a missão de levar a vida animal e vegetal para preservá-la, como arcas gigantes interplanetárias. Numa parada de café, Klaatu encontra um outro alien disfarçado de oriental que está aqui faz setenta anos e não quer ir embora - enquanto o exército americano tenta explodir o robô gigante sem sucesso, optando então por transportá-lo. Some a isso coisas absurdas, como a nuvem Galactus devoradora de mundos e o fato de que a doutora Helen é dona da cota de tragédia do filme, já que perdeu o marido e cria o filho insuportável dele (o menino perdeu a mãe ao nascer) - e teremos um panorama do desastre que é a produção. Pode não ser culpa, portanto, de Scott Derrickson, que faz o que pode na direção, tentando criar algumas sequências de ação com a dignidade que lhe é permitida pelo roteiro - e isso inclui até ridículos ataques bombásticos no meio do Central Park. Os efeitos, embora não espetaculares, cumprem bem a sua função e o filme, mesmo que não tenha sido um sucesso estrondoso, arrecadou três vezes mais o seu custo. 

Jennifer Connely, linda, parece mais perdida que cega em tiroteio e a ótima Kathy Bates é totalmente desperdiçada como a ignorante secretária de segurança nacional. John Hamm é acessório de luxo e Jaden Smith, insuportável, deveria estar na escola e desistir de atuar. Keanu Reeves continua a porta de sempre e ironicamente seu Klaatu é menos expressivo que o seu robô. Klaatu aliás, é uma mistura de Jesus Cristo paraguaio com algum mutante fugitivo da irmandade de Magneto, pois sabe fazer um milagre da telefonia como ninguém. O jeito que o espectador tem é torcer para tudo ser vaporizado numa nuvem de fumaça. O que, para desespero geral, infelizmente não acontece.

Cotação: 1/5

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