terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Para sempre Alice - 2014





Por Jason

Em Para sempre Alice, baseado no romance de mesmo nome de Lisa Genova, acompanhamos Alice Howland (Julianne Moore), uma mulher decidida, profissionalmente renomada, casada com três filhos, que acaba de completar cinquenta anos e que acredita estar acontecendo algo de errado com sua memória. Alice não consegue mais se lembrar de coisas simples, palavras comuns no dia a dia nem de lugares que costumava ir. Ao procurar um neurologista e realizar os exames, ela é diagnosticada com um tipo raro de Alzheimer. Segundo o médico, a doença pode ser hereditária e Alice pode ter passado para seus filhos, que certamente desenvolverão também a doença, o que alterará toda a relação familiar. 


Aos poucos, sentindo-se como se sua mente fosse se apagando e as coisas que ela estudou e aprendeu durante toda a sua vida fossem desaparecendo, a deixando debilitada no trabalho e na sua família, Alice vai tentando criar meios de manter sua memória em atividade. A doença é implacável e além de deteriorar a memória e deixar a pessoa demente e dependente de ajuda, é cruel por destruir as relações humanas, principalmente familiar, quando a família do portador não sabe como lidar com a situação. Paralelo a isso, Alice tem que lidar com o marido viciado em trabalho (Alec Baldwin) e a filha Lydia (Kirsten Stewart), que para Alice não encontrou um caminho como os outros filhos e vive tentando a vida de atriz, o que a deixa mais preocupada. 

Alice, no entanto, não é de se render fácil, é uma mulher que tenta de certa forma impor aquilo que quer aos outros, e luta contra a sua condição, mas o espectador sabe pela forma como sua mente começa a deteriorar que a batalha será perdida muito antes do fim - o que torna o filme perturbador. Para se ter uma ideia do seu destino, Alice tem lapsos em que sequer consegue reconhecer a casa em que está e localizar o banheiro, urinando nas próprias calças. Não consegue reconhecer sua própria filha, não sabe onde deixa as coisas, alterna dias em que está bem e (como ela mesma diz), parece uma pessoa normal, e dias em que não sabe nem quem é; noites em que perde o sono e em que está totalmente debilitada. 

Particularmente, uma cena forte se destaca, quando Alice recebe instruções de um vídeo que ela gravou antes da evolução da doença, induzindo-a ao seu próprio suicídio antes que se torne definitivamente um fardo na vida da sua família. As situações tristes em que a doença deixa a pessoa completamente demente faz o mérito do filme recair completamente sobre Julianne Moore. Atriz maiúscula, Moore É Alice, em todos os nuances, desespero, luta e infelicidade de ter a doença. Sua atuação é de uma naturalidade soberba e Moore encara cenas mais dramáticas e pesadas com o mesmo efeito que carrega nas costas cenas mais simples. O problema é que ela dá um show solo e engole o restante, em um filme que não acompanha sua performance. 

O filme falha na representação dos filhos, cuja relação entre eles é subtraída deixando um problema na trama. Para se ter uma ideia, Kate Bosworth, cabeçuda e fraca como de costume, aparece sentada três vezes em três jantares diferentes da família, até parir seus gêmeos e sumir sem revelar qual a sua importância na trama (e justo ela, que dos filhos foi diagnosticada com potencial de desenvolver a doença). Kirsten Stewart é outra atriz ruim e aqui não há milagre para reverter isso - a presença de Moore só acentua o quanto ela é fraca de doer. O terceiro filho de Alice pouco faz em cena, ninguém sequer lembramos seu nome, entrando e saindo sem dizer a que veio. Alec Baldwin, no papel do marido, pouco desenvolve seu personagem, um homem interessado apenas no trabalho que ao final das contas dá um jeito de se livrar de Alice e deixar o problema com a filha Lydia. 

Para sempre Alice também traz alguns detalhes da direção que é interessante observar. Quando começa a se esquecer das coisas, por exemplo, a direção desfoca o fundo em algumas das cenas, deixando Moore em evidência enquanto ela está perdida, como se passasse a sensação de estar na mente nebulosa e desfocada de Alice. O filme também passa rápido e não apela para o dramalhão fácil, o que é ótimo, embora tenha seu momento de breguice no discurso clichê de Alice a respeito da doença, que só não é pior porque Moore está em cena. Aliás, mais uma vez, mesmo com um elenco que não acompanha, não há como evitar: não há nada que consiga comprometer o desempenho arrasador dessa maravilha de atriz que é Julianne Moore. 

Cotação: 3/5

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