sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Tropas Estelares - 1997








Por Jason

Mais um retumbante fracasso na carreira de Paul Verhoeven, Tropas Estelares foi a adaptação para os cinemas do  romance de ficção científica escrito por Robert A. Heinlein, publicado na The Magazine of Fantasy & Science Fiction entre outubro e novembro de 1959. Nela, acompanhamos o soldado Johnny Rico (Casper Van Dien), que após graduar-se, quer se alistar nas forças armadas para tornar-se um "cidadão" e deixar de ser um mero civil. Sua namorada Carmen (Denise Richards) também se alistou e é encaminhada para pilotar naves de combate.   

Rico vai servir na infantaria, numa guerra contra insetos alienígenas do planeta Klendathu. Os insetos não possuem qualquer tecnologia e aparentemente não possuem inteligência, eles apenas lançam tipos de esporos no espaço em direção a qualquer planeta para ali se propagarem. São aracnídeos difíceis de matar uma vez que, mesmo desmembrados, continuam a atacar o agressor violentamente. Depois de muitas batalhas contra os insetos assassinos em que os militares são destruídos aos montes, os militares descobrem que um inseto dotado de inteligência comanda todos os outros na sua busca pelo extermínio da raça humana. 

Tropas Estelares enche a tela com seus efeitos especiais, que misturam efeitos em CGI e animatrônicos e consumiram a maior parte de mais de 100 milhões de dólares do orçamento da produção, mas ainda assim parece um filme saído dos anos 80. É impressionante como sua estética envelheceu mal e como ela parece ser resultado de uma extensão de outros filmes do diretor, seja Robocop ou Vingador do futuroOs interiores das naves são assépticos e sem a riqueza de detalhes de outras produções do gênero, os cenários iluminados tal qual sets de novela - não há noção de sombras ou de cores no filme, nem de profundidade nos cenários, todos com aspecto superficial, algo acentuado com o advento dos blu-rays de alta resolução - que só serviram para expor os defeitos de muitos filmes que se usam de cenários grandiosos e de efeitos digitais. No saldo final, Tropas Estelares parece um filme mais velho que outros filmes anteriores, como O exterminador do futuro 2 e Jurassic Park

Não dá para saber se era a intenção do diretor na época, porque o filme afinal é uma destruidora sátira ao futuro e traz inspirações estéticas até em revistas e seriados de ficção dos anos 50 e 60 (a doca de lançamento de veículos de emergência lembra algum episódio perdido de Star Trek). O fato é que seu design é o que primeiro causa estranhamento no espectador. O segundo é justamente essa abordagem de sátira que o diretor optou por carregar e que foi, claro, incompreendido pelo público e pela crítica. O futuro do filme é militarizado, em que a população assiste execuções em cadeiras elétricas ao vivo como um programa de TV sensacionalista. A mídia censura o ataque de um inseto a uma vaca, mas não a morte de militares no planeta dos insetos, despedaçados em montanhas de cadáveres sem fim. Crianças são convocadas para os serviços militares, tendo contato com armas e munições pesadas e a Rede da Federação explora a miséria como se tivesse passando um programa infantil.

Claro que o filme conta com um festival de nojeiras e sangue falso: de pedaços de gente pipocando na tela até uma aula de anatomia de insetos, Paul não poupa o espectador das bizarrices, trazendo gosma verde e pedaços de corpos mutilados. É talvez por isso que o filme seja divertido. Os atores são de ruins a péssimos, todos com personagens unidimensionais e verdadeiras caricaturas. Incomoda Denise Richards em cena, cuja personagem parece drogada e rindo das coisas mais sérias. Casper, ainda bem que não decolou em sua carreira fracassada e acabou em projetos pobres na televisão. Dina Meyer não é um desastre e fez seu caminho em séries de tv e na série Jogos Mortais - só precisava de um agente melhor. Neil Patrick Harris conseguiu seu lugar ao sol, também na televisão. Há uma terrível falta de química entre eles e uma trama ordinária envolvendo vai e vem de casais que não desperta a mínima empatia. A falta de preocupação da direção com tudo e toda a bagunça do roteiro faz com que o espectador desligue parte do cérebro e curta o que vier pela frente. Se as criaturas possuem estéticas criativas, de vespas, aranhas, uma pulga com cérebro e uma ninhada de baratas gigantes cuspidoras de fogo, o planeta habitado por eles não tem nada de inovador ou de inspirador. Só funciona por causa dos efeitos, de todo o espetáculo dantesco e da ação. Sim, Tropas Estelares é um filme caro e rico, com cara e alma de filme vagabundo.

Há na bagagem ainda os furos horríveis. A humanidade construiu naves interestelares, mas é incapaz de construir um super Detefon para liquidar todas as criaturas de uma só vez. Pior: os militares sabem que as armas mais eficientes contra os inimigos são granadas ou bazucas, armas com maior poderio de destruição, mas eles insistem em colocar um monte de homens armados com metralhadoras contra as criaturas, o que não faz nenhum sentido do ponto de vista narrativo (no livro é explicado o motivo pelo qual não se lança uma bomba atômica no planeta, já que os insetos são organizados como formigueiros e isso só destruiria a classe operária, deixando a rainha ainda reproduzindo). Outro ponto a se perguntar é como os insetos proliferam-se e de que se alimentam, já que o planeta em que vivem é completamente deserto e habitado apenas por eles. Praticariam canibalismo? Enfim.

Tropas Estelares ganhou continuações piores que o original e sem sucesso algum, diretamente para DVD, além de uma série de episódios de um desenho feito em CGI, jogos de vídeo game, etc. O livro influenciou James Cameron com seu Aliens O resgate e Avatar e toda uma sorte de produtos que incluem jogos como Halo. Uma refilmagem do título caminha por Hollywood há mais de cinco anos e, segundo os produtores, terá menos violência e menos ironia para tentar agradar uma parcela maior de público e evitar o desastre. O problema é que esse projeto, se sair do papel, será o terceiro filme do diretor na lista de refilmagens, e as outras duas não foram sucessos de bilheterias como os originais (O vingador do Futuro e Robocop). Resta ao público aguardar.

Cotação: 1,5/5

Um comentário:

  1. A vddd seja dita humbre. Vc poz o dedo na ferida da coisa. Mais quem se importa com isso, o público quer ver lutas e sangue como no filme gladiador. Blz.

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