terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Um ato de liberdade - 2008




Por Jason

Um ato de liberdade é mais um retrato interessante da Segunda Guerra Mundial. Baseado em fatos reais, acompanhamos um grupo liderado por irmãos judeus que salvaram outros judeus na Bielorrússia durante a Guerra. O filme traz Daniel Craig como Tuvia Bielski, Liev Schreiber como Zus Bielski, Jamie Bell como Asael Bielski e é uma adaptação do livro de Nechama Tec Defiance: The Bielski Partisans.

Depois da invasão da polícia alemã a uma vila, matando os pais dos Bielski, mulheres e crianças, os irmãos se refugiam com o grupo em uma densa floresta. Aos poucos, mais fugitivos vão se juntando ao grupo enquanto eles planejam e executam ações contra os alemães, matando-os para pegar suas armas em emboscadas ou se vingando daqueles que mataram suas famílias. O esconderijo é descoberto e os judeus precisam migrar para outras áreas. O mote, por si só, é dramático. Sem tetos, eles se amontoam como bichos na floresta, mas se ficarem, serão mortos ou pelos alemães ou pelo inverno rigoroso. Os irmãos ainda precisam lidar com a escassez de comida, já que o inverno acaba com as provisões. Também precisam lidar com os dramas pessoais de cada um, com as próprias perdas e com suas diferenças de ideais que o levam a discussões, desentendimentos e brigas. 

Tuvia escolhe ficar e montar uma comunidade e ali viver, mas Zus escolhe seguir e brigar. Ambas as decisões se mostram desastrosas. Para se ter uma ideia do desespero, no ápice do inverno, Tuvia precisa sacrificar um cavalo para alimentar o povo morrendo de fome. Para Zus, restam as baixas e, num momento de lutar e invasão num QG nazista, um ferimento a bala para Zus. O grupo judeu se junta a outro de russos que lutam contra os nazistas, mas dentro do próprio grupo de resistência os judeus sofrem com o preconceito. Precisam, também, manter a esperança mas acima de tudo a humanidade nos tempos difíceis. Até o final da guerra, 1200 desses nômades sobreviveriam graças aos esforços dos irmãos. Asael entraria para o exército russo, mas morreria seis meses depois sem ver o filho nascer. Zus migrou para Nova York com o irmão onde montaram seus negócios e os irmãos nunca procuraram ganhar nada nem exaltar o bem que fizeram.

O filme é simples mas bem dirigido, com boas locações e uma boa fotografia. Também recebeu uma indicação ao Oscar na categoria de Melhor Trilha Sonora para James Newton Howard, merecidamente. O problema está numa certa falta de densidade dramática, que o filme pede e só vai alcançar lá para o terceiro ato, nos momentos mais desesperadores, que incluem a captura de um alemão que é linchado até a morte pelos judeus.  O filme tinha tudo para ser um grande épico de sobrevivência, já que os judeus precisam se virar como podem, aprendendo a atirarem, a lutarem, a matarem, a se defenderem, sejam homens, mulheres ou jovens, mas falta ritmo e nunca chega a empolgar. 

As cenas de ação estão praticamente no último ato, quando a floresta em que estão agrupados em comunidade é pulverizada pelos alemães. No meio do caminho, ainda embute um relacionamento desastroso entre os personagens de Mia e de Bell, relação mal desenvolvida e sem química, e uma parceira para Tuvia, que chega de para quedas na trama. Craig tem os seus momentos James Bond no meio da selva, Mia Wasikowska nunca convence e o restante não se destaca. De toda forma, vale uma visita.

Cotação: 2/5

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