quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

United 93 - 2006





Por Jason

O voo 93 da United Airlines foi um dos voos desviados de seus trajetos originais no dia 11 de setembro, quando ocorreram ataques terroristas contra os Estados Unidos. O voo saiu de Boston com direção a São Francisco, com previsão de chegada dentro de no máximo cinco horas e meia. Tudo corria perfeitamente bem, apesar de um pequeno atraso antes da decolagem, até que dois aviões desviaram de suas rotas e se chocaram contra as torres do World Trade Center no fatídico 11 de setembro de 2001. Por fim, outro avião foi arremessado contra o Pentágono. Cerca de 80 minutos depois da decolagem, o United 93 cairia numa área rural perto da Pensilvânia matando todos os passageiros e tripulantes.


Quatro sequestradores embarcaram na aeronave, munidos supostamente de explosivos, mataram os pilotos, assumiram o comando, atacaram passageiros e a tripulação. O voo foi desviado para Washington e a intenção dos terroristas era provavelmente lançar o avião sobre a Casa Branca. Após os terroristas assumirem o voo, os passageiros teriam descoberto através de conversas com parentes e amigos por telefone sobre os sequestros dos outros três aviões, os quais já haviam colidido com as torres gêmeas do World Trade Center e com o Pentágono. Como os terroristas já haviam matado os pilotos e sabendo de seu provável destino, os passageiros resolveram atacar os terroristas, tentando recuperar o controle da aeronave. Os terroristas então arremessaram o avião no solo.

Cinco anos depois chegava aos cinemas o filme United 93. Apesar da desconfiança do projeto, o filme foi bem recebido pela crítica, sendo indicado ao Oscar de Melhor direção e edição merecidamente. Nele, Paul Greengrass, diretor do filme, concentra suas câmeras nos controladores do voo e no United 93, reproduzindo todo o pânico, desespero, correria e confusão dos envolvidos, seja nas torres de controle de voo e, claro, dentro do próprio avião. Mantém também sua câmera sacolejante dentro fatos, se atendo a exibir na tela o que supostamente pode ter ocorrido dentro do avião, mantendo uma tensão constante até o final, onde a luta dos passageiros pelo controle do avião explode na tela numa sequência de arrepiar.

O filme é também feliz em mostrar que além do choque dos atentados em Nova York, os envolvidos não tinham informações corretas sobre o que estava acontecendo, o que só aumentou a aflição, revelando falhas grotescas de segurança dos aeroportos e expondo também a falta de preparo dos responsáveis pela segurança nacional. A Força Aérea não conseguiu arranjar aviões para interceder na operação, os controladores demoraram a identificar aviões desviados e os comandos militares só conseguiram saber que o United 93 tinha sido desviado apenas 4 minutos antes de ele ser jogado contra o solo. O presidente autorizou um ataque aos aviões desviados, mas os comandantes se recusaram a dar as ordens aos pilotos no ar com medo de piorarem a situação.

Nesse desespero e sucessão de equívocos em que todo mundo estava despreparado e foi pego de surpresa, o gerente de operações da Administração de Aviação Federal dos EUA custa a identificar o que está acontecendo e a tomar alguma atitude, que finalmente resultaria no fechamento de todo o espaço aéreo e forçando todos os aviões a aterrissarem e a desviarem todos os voos internacionais, situação que deveria ser tomada de imediato assim que o primeiro avião bateu numa das Torres Gêmeas. O estrago já estava feito.

O ponto baixo do filme é que ninguém se destaca em atuação e nem todo mundo convence na hora do desespero. Se a câmera de Paul, também roteirista, é excelente em manter a tensão e expor toda a confusão dentro do avião, seu roteiro não escolhe acompanhar uma pessoa ou um grupo pequeno delas apenas e o filme se enche de personagens reais, gente que teve importância em momentos chaves, mas que parecem completamente desconhecidos e distante aos olhos do público, o que vira uma confusão, uma verdadeira zona. Deve-se prestar atenção, por exemplo, a um momento chave do filme que deveria ser um dos maiores em carga dramática, mas passa tão rápido e batido que o espectador nem consegue sentir - o momento em que as vítimas começam a falar com seus familiares, já em tom de despedida e cientes de que morreriam ali. Tomados pela câmera nervosa e tremulante de Paul, em focos que vão e vem o tempo todo, a dramaticidade se vai e o diretor acaba se sabotando. Nada que tire o impacto final do filme.

Cotação: 3,5/5

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