segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Yves Saint Laurent - 2014




Por Jason

O filme Yves Saint Laurent aborda a vida de um dos maiores nomes da moda e alta costura do século XX a partir do momento em que ele vai trabalhar com o estilista Christian Dior, de quem herdaria o controle criativo da Dior após a morte de seu mentor em 1957, com apenas 21 anos de idade. Na produção, Yves é retratado como um jovem tímido, mimado, sexualmente reprimido, mas talentoso, capaz de criar rapidamente e de improvisar vestidos de última hora, mas que sucumbe com a mesma velocidade ao estresse mental, rebeldia, tempestuosidade e sua obsessão pela criação e perfeição. 


Ainda jovem, Yves foi convocado para servir o exército francês, na Guerra da Independência da Argélia, onde nascera, mas entrou numa crise mental a ponto de ser internado em um hospital psiquiátrico.  Ele era maltratado na escola devido a sua sexualidade e no exército não foi diferente - o assunto é apenas pincelado numa cena nessa cinebiografia, em que seu parceiro vai tirá-lo do hospital, perdendo-se uma oportunidade de abordar ainda mais o drama psicológico do personagem. Durante essa época, no entanto, ele tem o apoio do companheiro, Pierre Berge, de quem seria parceiro nos negócios por mais de trinta anos. O desejo de criar seus próprios vestidos e de fazer sua própria moda longe do controle criativo da Dior o levou a criar uma força gigante e uma referência nesse ramo de negócios, a marca YSL, que apesar do começo difícil se tornaria conhecida no mundo todo não só na parte de roupas como também acessórios fashion e que até hoje fatura milhões anualmente mesmo depois da sua morte, em 2008, de câncer cerebral. 

A produção tenta mostrar que Saint Laurent foi provocador e tinha visão: foi pioneiro no uso de modelos negras em seus desfiles e também o primeiro a apresentar o smoking feminino, que desde a década de 60 fez com que as mulheres invadissem o mercado de trabalho usando calças. Foi o primeiro a popularizar o Prêt-à-porter criado em 1949, uma forma de ligar o que era visto nos desfiles e nas passarelas para a produção industrial com a finalidade de aproximar as pessoas da alta costura. A relação com Pierre não era também as mil maravilhas: Pierre tinha ciúmes de uma amiga de Yves, Victoire, e a crise o levou a uma relação sexual momentânea com a mulher. Yves também passou a sair para se encontrar com outros homens e daí em diante a relação desandou para brigas, insultos e confusões explicitas entre os dois.

Os atores Pierre Niney (Yves) e Guillaume Gallienne (Pierre) se dedicam e estão soltos em cena, protagonizando cenas de beijo sem nenhuma dificuldade e brigas em que percebe-se a total entrega. Em contrapartida, o  filme nunca brilha e parece sempre abaixo do esforço dos dois, já que Yves nunca estoura na tela. Longe do arrojo do biografado, que se perdia nas drogas e nas vielas pobres da cidade atrás de homens, o roteiro aposta no óbvio, naquela biografia esquemática, sem se aprofundar em nada. Há problemas notáveis como personagens coadjuvantes que entram e saem para nada, como é o caso de Karl Lagerfield e seu acompanhante de luxo interesseiro e explorador, que acaba se envolvendo com Yves e cuja relação não é explorada. Karl, por exemplo, sempre entra em cena para falar duas palavras a cada meia hora e acaba virando figurante de luxo. 

O próprio drama amoroso de Yves e Pierre se dilui no filme, o problema com as drogas de Yves pouco é abordado, e o roteiro dá saltos cada vez maiores no tempo para compactar tudo em pouco mais de uma hora e meia de projeção como se estivesse correndo contra o tempo - o mais absurdo deles no terceiro ato, quando corta para os dois já velhos. Ao final, o resultado serve pelo menos como veículo para apresentar a vida de um ícone de alta costura e entender um pouco sua importância no mundo da moda. Seja para aqueles que tem pouca intimidade com o assunto ou que possuem curiosidade em conhecer, mesmo que superficialmente, essa figura já lendária.

Cotação: 2/5 

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