quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Êxodo - Deuses e Reis (2014)




Por Ravenna Hannibal

OOOOOOOOOOIIII teboferas! Saudades de mim? Não? Então morraaam! Quero dizer, feliz 2015 pra vocês tooodos, que todos vocês possam ter um ano maravilhoso na companhia do cinema!
Olha, gente, Hanni adora tio Scott e foi conferir o que ele fez com Moisés no seu Êxodo- Deuses e Reis. Aquele trailer épico me deu calafrios.
Aí fui conferir né, queridos? 

Ridley Scott tem grandes filmes como Alien e Gladiador, mas também tem uns marrom que nem Robin Hood – por que não sou obrigada né gente?
Êxodo está num incômodo meio termo.
A crítica bem me avisou, mas eu não sou de ficar dando ouvidos a esses chatos de galocha que reclamam dumas coisas que não precisam, e fui conferir eu mesma.

O filme começa bem, dá pra conhecer bem os personagens sem aquela baboseira toda de ficar mostrando pieguices de infância, sem diálogos expositivos e tal.
Christian Bale tá divando como sempre, mas Joel Edgerton acompanha, gente. Até doi ver os dois atuando em cena. Agora, eu fiquei revoltaaada quando vi aqueles divos maravilhosos da Sigourney Weaver e do Bem Kingsley desperdiçados em papeis completamente inexpressivos e inúteis. Ridley meu querido, assim não dá pra te defender!

Olha, sobre o roteiro, eu não sei se quatro cabeças escrevendo um negócio só atrapalhou o se os caras são meio tontos e grandiloquentes, mas eles não se decidem entre fazer uma crítica social sobre repressão e revolução e todos esses paranauê de esquerdismo de facebook, ou se vão construir um filme intimista sobre a jornada de Moisés ou se vão ficar insistindo numa discussãozinha sobre fé que até aquela porcaria do Príncipe Caspian de Narnia fez melhor.
Aliás, o roteiro não consegue decidir também se quer enaltecer a fé, se quer criticar religião. Na verdade a equipe foi bem espertinha ao fazer uma historinha que não vai irritar os pastorzinhos nervosos da vida, e também agrada os questionadores céticos de plantão. E fica lá sem decidir se vai atribuir aquilo tudo a atos divinos ou se vai ficar sugerindo que foi tudo coincidência científica.

Aí no meio de toda essa atmosfera marrom, e essa indecisão toda, Scott nos entrega vários momentos sensíveis e profundos – alguns até chocantes (principalmente em termos de violência, que o filme não é lá explícito mas é bem forte), mas na maior parte do tempo o roteiro não ajuda e não cativa quem tá assistindo.
Cadê a emoção? Cadê os personagens cativantes? Cadê consistência de roteiro.

Aliás, quero saber também cadê o mar abrindo lindo pra mim! Esse negócio de racionalizar a parada toda brochou muita gente que queria ver mais espetáculo. Aliás meu bem, pra quê aqueles crocodilos assassinos? É o Êxodo ou é Croc - Perigo no rio?
Não que não tenha cenas impressionantes. Scott nunca perdeu a mão pra filmar.
O filme tem umas sequências de tirar o fôlego, embora perca muito tempo com diálogos que realmente não acrescentam tanto quanto pretendem. Mas os efeitos especiais são lindos, a fotografia é bem feita e age de acordo com o roteiro, e a direção de Scott na filmagem é vertiginosa num ótimo sentido – e sem economizar na violência, como já disse.

No fim das contas, o filme fica nesse incômodo meio termo que faz com que todo mundo se decepcione – quem queria ver Bíblia, quem queria ver guerra, quem queria ver drama, quem queria ver elencão, e quem queria ver o circo pegar fogo – todo mundo ficou só no querendo mesmo.
O filme vale a pena a conferida pelos efeitos, as cenas épicas ou mesmo pela curiosidade. Talvez até pela discussão. O final fica aberto para interpretações mais religiosas ou racionais, mas o jeito que isso foi feito só tornou o filme mediano, ao invés de atribuir valor a ele.

Infelizmente. Poderia ter sido o filme do ano, com tudo o que tinha em mãos.

Ainda assim, Ridley Scott mostra que consegue dar umas boas aulinhas pro Darren Aronofsky sobre como fazer um blockbuster épico.

E tenho dito.

Cotação: 2,5/5

3 comentários:

  1. Olá Hanni! Muito bom vê-la escrever, estava muito ansioso por ver a opinião de vocês sobre o Êxodo - Deuses e Reis, pois estou muito louco pra ver esse filme (acho que vou hoje no cinema), afinal, sou fã de carteirinha do Tio Ridley.
    Amo os trabalhos do "mestre do épico moderno". Concordo que Robin Hood foi muito fraquinho, mas adoro seus outros trabalhos, especialmente o Cruzada (versão extendida), que considero um filme maravilhoso e muito injustiçado. Adoraria que vocês fizessem uma análise dele, mesmo sendo pra levar umas boas sapatadas da Tia Rá.

    Enfim, assistirei o Êxodo e depois conto o que achei.

    Feliz 2015!

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    Respostas
    1. Oi, Fábio querido!

      Pode assistir que talvez você goste (e confesso pra você que passo Cruzada :P)

      Mas Scott sempre consegue uns méritos comigo.
      Volte pra dizer o que achou!

      Feliz 2015!

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    2. Pois bem, após assistir atenciosamente ao filme, lá vai meu veredito: concordo com a nota mediana. Não é o épico dos épicos, mas é um filme gostoso de se ver.
      Sobe:
      Visualmente é deslumbrante, como todo filme do Scott. É meio tradicional dele encher a tela com fumaça, poeirinhas e umas belas paisagens nubladas. A visão mais racional das pragas foi muito bacana, na minha opinião, adicionou um charme e diferenciou o filme das outras várias produções que já contaram a história de Moisés (inclusive O Príncipe do Egito, AMO).
      Deus na forma de um menino foi uma tática ao mesmo tempo bonita e macabra. Que medo daquele guri! Eu acharia ainda mais legal se Deus fosse uma menina, mas aí já destoaria do patriarcado e todo o blá blá blá que a gente já conhece....
      O Joel Edgerton tá maravilhoso. Ramsés transparece insegurança e ambiguidade. É o tipo do vilão que dá até dó em alguns momentos...
      E o final me agradou imensamente. Bem bolado, bem bolado!

      Desce:
      Colocar a Sigourney Weaver num filme pra falar uma linha de diálogo e não aparecer mais é quase o mesmo que comprar uma Ferrari pra deixa-la fechada na garagem...
      O personagem Josué, pela importância, podia ser melhor explorado. E ele parece aceitar muito bem o fato que Moisés tava falando sozinho... ou não.
      Essa dúvida também me perturbou...
      E por fim, a trilha sonora não me chamou muito a atenção. Aliás, a hora que os hebreus começam a adentrar o Mar Vermelho, a música que toca é quase idêntica ao tema das Crônicas de Narnia. Só faltou o Deus moleque virar um Leão!

      Rsrs, mas enfim, valeu o ingresso. Épico é épico. E Ridley Scott é Ridley Scott.

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