quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Foxcatcher (Foxcatcher: Uma História que Chocou o Mundo) - 2014



Por Lady Rá

Foxcatcher: Uma História que chocou o mundo (as distribuidoras brasileiras e seus subtítulos ridículos) conta a história real de dois irmãos Mark e Dave Schultz (Channing Tatum e Mark Ruffalo), campeões de luta Greco-romana e seu envolvimento com o herdeiro milionário da indústria química John Du Pont (Steve Carell), que culminou em uma tragédia de chocou os americanos em meados dos anos noventa. Nunca ouviu falar de nenhum deles? Pois é, eu também não, até a história deles ser contada nesse filme. Talvez a distribuidora brasileira entenda “Estados Unidos” por mundo, porque os atletas eram bem conhecidos por lá.



O longa acompanha o jovem Mark Schultz (Tatum), que mesmo tendo vencido nas olimpíadas de 1984, vive na pobreza, sem incentivos para treinar, acaba dependendo do seu irmão mais velho Dave (Ruffalo), treinador e também campeão olímpico e o mais bem sucedido dos dois. A vida de Mark é um rotina triste, dividida em treinar com o irmão, fazer palestras em escolas e se alimentar mal, vivendo com pouco dinheiro em um pequeno apartamento. Já Dave, tem a vida assegurada, tem esposa e filhos e emprego fixo.

Quando Mark recebe a proposta de trabalho do excêntrico milionário John Du Pont, ele vê ali a oportunidade de precisava para se preparar para as olimpíadas de 1988 e brilhar por si próprio, saindo da sombra do irmão. Eventualmente, Dave acaba sendo convencido por Du Pont a integrar sua equipe e a relação dos três acaba tendo desfecho trágico.



O filme é arrastado e falha ao aproximar os personagens do público, dificultando a criação de empatia pelos dois protagonistas (Mark Schultz e Du Pont). A primeira metade do longa foca na relação desses dois e a falta de química entre Tatum e Carell torna a experiência enfadonha. Carell está impressionante como um homem solitário e excêntrico, Tatum se esforça, mas seus méritos se resumem ao aspecto físico. A história ganha um pouco mais de dinamismo com a entrada de Dave para a equipe Foxcatcher, e Mark Ruffalo traz um sopro de humanidade a história com a bela composição de seu personagem. Dave, apesar de repelido pelo irmão, está sempre disposto a cuidar dele, quase como uma figura paterna. Outra grata presença é Vanessa Redgrave como mãe de Du Pont, excelente em poucos minutos em cena.

Mas ali parece haver dois filmes, a história de autodestruição de Mark e Du Pont e a história de amor e ódio entre Mark e Dave. O filme nunca consegue equilibrar a relação dos três, tendo um protagonista em cada metade do filme, a primeira parte foca nos esforços de Mark para se sobressair, a segunda foca na figura solitária de Du Pont e com Mark perdendo espaço, sua decadência é mal explorada e mal explicada. A relação entre Du Pont e Dave nunca é desenvolvida de forma satisfatória, algo que seria indispensável para dar mais impacto ao desfecho da história. A impressão que passa é que se perdeu tempo demais mostrando o ostracismo da vida de Mark Schultz e o restante dos acontecimentos são empurrados goela abaixo do espectador, apenas para mostrar  o que aconteceu.



Foxcatcher é visto como muitos, como uma metáfora da decadência da sociedade americana, a obsessão pela vitória que acaba culminando em perdas trágicas e há de se reconhecer que a tentativa é válida.  E  diretor consegue criar belos momentos, como ainda nos minutos iniciais, quando acompanhamos o treinamento de Mark e Dave, podemos perceber quais são os sentimentos que os irmãos nutrem um pelo outro. Aliás, a cenas entre os irmãos são as mais belas do filme, graças à pureza de caráter de Dave e a humanidade que Ruffalo dá ao personagem. Outro belo momento é quando Du Pont liberta os cavalos de sua mãe simbolizando uma falsa liberdade sentida pelo milionário.

Ainda assim, é difícil se envolver com a história, a frieza e o distanciamento empregados pelo diretor Bennett Miller e os espaços vazios deixados pelo roteiro acabam afastado o espectador.

Nota: 2.5/5


3 comentários:

  1. Será que haveria uma baitolice entre os dois que resolveram não citar no filme, por se tratar de um empresário famoso? Mesmo assim, por ter Steve Carrel vale a pena assistir, o cara já provou que é um excelente ator fazendo comédia ou drama.

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    1. Alguns tiveram essa interpretação, mas o verdadeiro Mark Schultz nega e rolou até um estresse por causa disso. O atleta leu alguns reviews e ficou puto com o diretor do filme, depois voltou atrás e pediu desculpa. É um filme que tem méritos e merece ser visto. Veja e faça sua análise. De repente você pode curtir. Boa sorte e obrigada!

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    2. Assisti, realmente um filme arrastado ( meio padrão Academia, já que ela gosta de filmes assim ) mas razoável, não um clássico como eu li em alguns sites. A atuação do Carell é excelente, ele ja havia provado isso de ser um ótimo ator em Pequena Miss Sunshine, e aqui ele se superou. Os outros estão bons tmb, se bem que se o verdadeiro Mark era daquele jeito passou a impressão de ser mais retardado que tímido kkkk, Valeu e parabens pelo site - acompanho sempre este aqui e o Filmes para Doidos, os dois melhores blogs de filmes da net, para mim. Bom fds.

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