segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Invencível - 2014



Por Jason

Os problemas de Invencível não estão na vida do personagem principal, Louis Zamperini, falecido em Julho de 2014 aos 97 anos. Louis era filho de imigrantes italianos, um jovem vítima de bullyng na infância que levava uma vida muito problemática, arranjando confusão até mesmo com a polícia e, segundo ele, consciente de que cresceria e não seria nada na vida. Seu irmão vê nele uma possibilidade ao fazer com que ele se aliste na equipe de atletismo no colégio. O irmão o ajuda a treinar e o incentiva, fazendo com que Zamperini se transforme em um grande corredor e se destaque, conseguindo até mesmo uma vaga nos jogos olímpicos.

Convocado para a Guerra, no entanto, o avião em que está com uma equipe de resgate cai no meio do oceano, deixando-o com outros dois amigos em um bote inflável em águas perigosas rodeadas por tubarões. Louis passou quarenta e sete dias nesse bote, vivendo de comer peixe e tubarão, até um de seus amigos não resistir e ele ser pego por japoneses. Num campo de prisioneiros, Louis foi massacrado. Foi surrado, humilhado e escravizado. Era obrigado a tomar banho gelado e a viver num buraco. Foi transportado para um campo de trabalhos forçados, onde encontrou outros como ele, obrigado a correr para diversão dos japoneses, a levar socos na cara de todo o grupo de prisioneiros até ficar desfigurado, a carregar as imundícies dos banheiros e lá resistiu a todos os abusos possíveis, até ser transferido para outro campo. No novo campo, era obrigado a trabalhar carregando carvão, no frio ou no sol, subindo escadas intermináveis com peso nas costas. Era humilhado e obrigado a resistir aos abusos físicos, morais, mentais e emocionais, até sair de lá com o final da Guerra e, aos 80, correr mais uma olimpíada - dessa vez no Japão, carregando a tocha olímpica. 

Como visto, a história desse homem que resistiu não só ao mar como a guerra é dramática e excepcional, e poderia render um filme que explodiria na tela num drama desses de encher os olhos. Os problemas são outros. A sensação que se tem é de que há dois filmes brigando dentro de um. De um lado, um filme que mostra a ascensão do rapaz no esporte, sua determinação em sair do nada para algum lugar e do outro, o horror pelo qual passou como prisioneiro de guerra. O filme de guerra é interessante, o lado do esporte também, mas toda vez que um flashback acontece na tela na narrativa não linear, algo se perde no meio do caminho. Angelina Jolie na direção mostra certo distanciamento ao retratar o biografado não como um herói de guerra ou um homem sobrenatural, mas sim como um sobrevivente, o "invencível" do título, não só da Guerra, como do destino. 

Jolie também consegue lidar com efeitos especiais, usando-os sempre da maneira mais orgânica e essencial possível sempre que o filme pede. O filme tem bela fotografia e uma trilha sonora eficiente. Por outro lado, o drama de Louis nunca estoura na tela  - o que nos leva ao problema de adaptação do romance de Laura Hillenbrand "Invencivel - uma história de coragem", em que o filme é baseado. Jolie faz o arroz com feijão, de uma maneira correta, redonda, sem arrojo e sem arrombo de direção - mas com proporcional monotonia presa ao roteiro sem dinamismo, o que faz com que o filme não ande e tenha um problema de ritmo terrível. Há um sem número de gente que entra e sai sem importância na tela (Jai Courtney não serve para nada, Garrett Hedlund também não) e isso se torna um problema a partir do momento em que Louis fica isolado no oceano com dois amigos que não possuem um passado, não carregam dramaticidade, não se desenvolvem como personagens. Isso vale também para o momento em que se torna prisioneiro dos japoneses: ninguém ali é importante. Jolie mostra o sofrimento, mas nunca nos envolvemos com aqueles rapazes. 

Resta para Jerry O'Connel a tarefa ingrata de carregar o filme nas costas, mostrando seu esforço físico e sua dedicação em transformar seu personagem em algo real, mas a história é grande demais para ele e O'Connel não tem estofo nem suporte dramático. O filme tem pelo menos uma sequência excelente, quando o personagem é obrigado a segurar uma barra de madeira durante muito tempo sob a ameaça de ser executado se deixá-la cair. Louis segurou a viga, desafiou seu algoz, e resistiu furiosamente. Mas é tarde demais: a madeira não cai - mas o filme simplesmente já desabou no meio do caminho, agonizando, como o personagem até o final.

Cotação: 2/5   

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