sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Jogos Vorazes A esperança - Parte 1 - 2014





Por Jason

O novo filme da franquia Jogos Vorazes abre com Katniss (Jennifer Lawrence) sofrendo com pesadelos e preocupada com Peeta (Josh Hutcherson). Depois que a Capital conseguiu destruir o Distrito 12, Katniss se refugia no lendário Distrito 13, um distrito militar que foi bombardeado, obrigando-os sua população a se recolher numa base subterrânea. A presidente do Distrito, Alma Coin (Julianne Moore) quer usar Katniss como símbolo de uma revolução, unindo os distritos para juntos destruírem a Capital. Paralelo a isso, Peeta está sendo usado pela Capital para pedir a população um cessar fogo, como uma arma contra a rebelião.

Para fazer a propaganda e espalhar esperança entre os habitantes, Katniss decide visitar os outros Distritos, incluindo o oitavo, onde centenas de pessoas foram mortas, estão gravemente feridas e amontoadas nos escombros da cidade. A Capital identifica sua presença e envia agentes para eliminá-la, destruindo um hospital de refugiados. Tudo é gravado e acaba servindo de propaganda para ajudar na revolução, para que os outros Distritos se unam a causa e derrubem a Capital. A propaganda dá certo e todos começam, a seu modo, a lutarem contra o governo opressor, incluindo aí a destruição de uma hidrelétrica que fornece energia para a Capital que, claro, revida. O grupo de resistência então decide, conforme exigências de Katniss, fazer o resgate de Peeta, o que pode ter consequências desastrosas para os dois lados da guerra.

O filme é superior aos anteriores, tanto tecnicamente quanto na forma da abordagem política mais profunda. Ao sair do campo da arena, o filme abre um leque de possibilidades e oportunidades em termos de roteiro. O diretor Francis Lawrence não esconde a violência da guerra, de corpos amontoados em hospitais improvisados, com mulheres, jovens, homens e crianças feridos em guerra, corpos carbonizados e cidades em escombros. O choque de Katniss é assim o mesmo do espectador e sua revolta se torna palpável na mesma medida que o espectador deseja também que a Capital seja derrubada. Tanto os efeitos especiais quanto a direção de arte funcionam perfeitamente ao traduzir todo esse caos na tela.

A trilha sonora é eficiente dentro da proposta do filme, embora não seja marcante. As atuações são sólidas, com destaque para Julianne Moore, Donald Sutherland e Philip Seymour Hoffman, cuja morte já faz falta sem dúvidas. Jennifer Lawrence vez ou outra falha, mas sua performance é também prejudicada pela falta de retidão de sua heroína. Falta a Katniss a presença de cena e a complexidade de outras heroínas cinematográficas, coisa que a atriz não consegue contornar nem com seu falso acesso de fúria contra o governo no Distrito 8. Elisabeth Banks aparece finalmente desmontada de maquiagem e peruca, tendo uma participação maior ao ajudar a composição do personagem "Katniss", o torvo, símbolo da esperança a ser vendido para o público. Liam Hemsworth traz o mal da família em ser uma caricatura sem profundidade alguma e Josh Hutcherson provavelmente não tem futuro algum fora da franquia - e aqui se resume a tentar matar Katniss depois de ser torturado e a fazer cara de aloprado num vídeo. O resto é traído pelo roteiro, um sem número de gente que entra e sai muitas vezes com uma linha de diálogo, e em praticamente nada acrescenta - e isso inclui Woody Harrelson, que parece relegado a participação especial.

O problema da produção não é, de fato, o seu elenco, mas sim a existência de dois filmes brigando dentro de si. Se o filme se mantém no terreno político, sua qualidade aumenta: o desenvolvimento do jogo político entre os lados é talvez o melhor do filme, com campanhas de marketing agressivas de ambos os lados. Mas quando cai no lugar comum do romance adolescente xoxo, o filme desce ladeira abaixo. Peeta é um personagem antipático e nem ele nem o robótico e insosso Gale de Liam conseguem despertar empatia. Ironicamente, Katniss não consegue, por exemplo, entender que Peeta pode estar sendo usado da mesma forma que ela para uma campanha publicitária. Fica difícil acreditar que ela, nesse mote, ainda consiga confiar nele com a desculpa de que o ama, ficar dividida e não consiga se jogar contra a situação sem pensar duas vezes por uma causa maior, mesmo vendo toda a miséria e destruição causada pela Capital e tendo sua família ameaçada. A sensação que se tem é de que em alguns momentos ela é capaz de colocar o rapaz acima da família que tanto ama.

Pior para a tapada da irmã de Katniss, que quase morre por ir atrás de um gato, e para os ouvidos dos espectadores, que tem que aturar uma cena constrangedora e equivocada de Lawrence cantando. Falta mais ação dentro do filme, que se perde depois da sequência em que Katniss visita o Distrito 8 e o terceiro ato é incrivelmente genérico e sem originalidade incluindo uma ação de resgate que deve ter sido copiada de algum jogo de vídeo game. Entre erros e acertos, contudo, Jogos Vorazes chega acima da média ao terceiro episódio, se comparada com outros filmes do mesmo gênero, como o terrível Divergente. Que venha então o próximo capítulo para concluirmos se a saga de Katniss se tornará num conjunto finalmente arrebatador e ficará na memória - ou se será facilmente vaporizada na nuvem de fumaça do esquecimento, em direção a um limbo cinematográfico de onde nunca mais sairá.

Cotação: 3,5/5

Um comentário:

  1. Alô Jason!

    Eu cometi o erro de querer assistir Jogos Vorazes: A Esperança logo na estreia, o que me fez dividir o cinema com uma legião de adolescentes fanáticos que não calavam a boca, coisa que tornou a experiência deveras frustrante (pior foi eles cantando junto com a J-Law a música da árvore do enforcado. Daí fui eu que tive vontade de me enforcar...).

    Mas falando sobre o filme, finalmente, concordo com a maior parte da crítica. Katniss perdeu um pouco do seu destaque como heroína. Uma coisa que notei é que o filme não tem clímax, não tem o "estágio 8" da jornada do herói de Joseph Campbell (que é quase uma base para toda obra literária e cinematográfica). Me pareceu que o filme todo é só uma preparação para o segundo e derradeiro capítulo. É claro que isso teria de ser assim, já que decidiram dividir o livro em dois.

    E por fim, discordando num ponto da sua crítica, apesar da voz de pato da Jennifer, a parte onde ela canta e a música evolui até a rebelião no distrito 5 foi provavelmente a melhor parte do filme e a única cena que me pareceu realmente memorável. Fico feliz que meu idolatrado James Newton Howard esteja por detrás disso, provando mais uma vez que ele é um dos (senão o melhor) compositor de trilhas sonoras da atualidade.

    E é isso. Concordo com a nota 3.5. Um excelente final de semana e vamos esperando. Faltam só seis meses para Jurassic World!!!!!

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