domingo, 11 de janeiro de 2015

O amor é estranho - 2014






Por Jason

O ótimo "O amor é estranho" traz John Lithgow e Alfred Molina, como um casal homossexual, Ben e George, que acaba de oficializar o casamento depois de 39 anos de união. Ambos ainda são apaixonados um pelo outro e possuem bons amigos que convivem alegremente na residência do casal. Acontece que após o casamento, o colégio católico onde George leciona música o demite, deixando os dois em uma crise financeira que leva a venderem a casa em que vivem. O dinheiro, contudo, não é suficiente para comprarem outra casa, não há casas baratas disponíveis para alugar e os amigos então decidem ajudar enquanto os dois procuram um lugar para ficar: George vai para a casa de um jovem casal gay enquanto Ben é abrigado na casa do sobrinho casado com Kate e pai de um adolescente. 


George sofre com os dois conhecidos, que estão sempre agitados e dando festas no apartamento em que vivem. Não tem privacidade e dorme no sofá enquanto se vira dando aulas de música. O problema de Ben é pior: a esposa do sobrinho, Kate (Marisa Tomei) não o suporta. O filho de Kate é adolescente e está numa fase complicada, tem um relacionamento ruim com o pai e, paralelo a isso, mantém uma estranha amizade com um garoto chamado Vlad, o que está gerando desconfiança de seu pai. O que o roteiro do brasileiro Maurício Zacharias oferece é um contraste entre o relacionamento de George e Ben com os relacionamentos dos jovens: enquanto a união dos dois homens maduros é baseada num tipo de consideração e companheirismo de quem já viveu de tudo na vida, a relação dos outros sempre parece superficial e sem profundidade. Kate e o marido não se entendem, nem entre si nem com o filho, e o casal jovem homossexual que abriga George parece estar ainda em clima de curtição sem nenhum amadurecimento.

O filme é simples, leve e passa rápido. Enfrentou uma absurda censura nos cinemas americanos, mesmo sem ter cenas de sexo ou qualquer cena apelativa, o que levantou a ira dos críticos e mostra que os órgãos de censura ainda precisam evoluir muito. Ambos os atores principais foram ignorados no Globo de Ouro, o que chega a ser ridículo. Se há algo de ruim no filme é que ele escorrega no terceiro ato, quando avança no tempo bruscamente sem necessidade e não dá tempo do espectador assimilar a perda de um dos personagens. Mas o fato é que ele não funcionaria sem a presença marcante de Lithgow e Molina em cena, que no mundo real - e não no esquema massacrante dos estúdios de Hollywood - estariam facilmente cotados para indicações ao Oscar. 

Todo o elenco é bom mas é a química entre os dois e o domínio de cena de ambos que sustenta tudo. Ela é tão perfeita que é impossível não crer que os dois estão juntos há muito tempo. Talentosos e calejados, os dois conseguem trabalhar num patamar que o resto do elenco não consegue acompanhar, demonstrando cumplicidade através de expressões, gestos e olhares. Encaram cenas de beijo com total facilidade e deitam e rolam em cima do roteiro com perfeição. O sentimento que une os dois não é só o de concessão, mas o da necessidade também do calor e da presença um do outro: os personagens estão juntos há tanto tempo que não conseguem disfarçar o incômodo e o sofrimento pela distância - e os deslizes que cometeram no passado se tornaram superficiais em nome da força dessa união. Estranho ou não, se isso não for amor, que inventem outro nome então.

Cotação: 4/5

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