quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O céu de outubro - 1999




Por Jason

Baseado numa história real, no subestimado O céu de outubro, conhecemos Homer, um adolescente que sonha em construir um foguete. O ano é 1957, quando o satélite soviético Sputnik foi lançado em órbita e apresentou uma série de possibilidades para o mundo na mesma proporção que deixou a população americana preocupada, afinal aquele era o período da Guerra Fria. Possibilidades, aliás, é o que os meninos de uma cidade interiorana, a Coalwood, dos EUA, não possuem. Ou os rapazes investem no esporte para garantirem uma vaga na universidade ou então eles vão viver como o pai de Homer, um sujeito ignorante que depende de uma mina carbonífera para viver e sustentar sua família, um trabalho perigoso e degradante. 


Homer acaba se juntando a outros dois amigos na empreitada, e recebe a ajuda do nerd da escola, que entende mais de foguetes do que os outros. Juntos, Homer, Quentin, Roy e O'Dell acabam testando e construindo um foguete que realmente é capaz de voar. Aos poucos Homer acaba virando um tipo de atração na cidadezinha, cuja população não tem nada para fazer. Sua professora Riley o apoia e acha que ele deve ser incentivado. A relação entre Homer e o pai, porém, é péssima. O desejo de Homer não é bem visto por ele nem pelo diretor da escola. Homer e sua equipe competem numa feira de ciências e, mais tarde, competem num evento nacional que lhe dá visibilidade e garante a tão sonhada vaga na universidade para a sua equipe. 

Dirigido por Joe Johnston, antes de cometer coisas como Jurassic Park 3, o filme é simples e fala de como os sonhos devem ser perseguidos, custe o que custar. Homer vai de encontro a todas as possibilidades e ao seu inexorável destino que será trabalhar em uma mina de carvão, uma vez que não é bom no esporte e não tem vocação para outra coisa. Nesse sentido, é gratificante perceber ao chegar ao final do filme que Quentin acabaria se tornando engenheiro químico na industria petrolífera, Roy viraria bancário aposentado, O'Dell se tornaria fazendeiro e dono de uma seguradora e por fim, Homer realizaria seu sonhos - e se tornaria engenheiro da NASA. O destino da cidade só provaria que o pai dele estava enganado - ela seria vendida, o pai de Homer morreria em decorrência dos trabalhos na mina de carvão que acabaria fechada. 

O elenco é ótimo, a começar pelo excelente Chris Cooper, que consegue traduzir tão bem sua ignorância quanto sua mentalidade digna de pena. Homem abrutalhado e sem estudo, ele acredita que Homer deve seguir seus passos, sem sequer se preocupar com uma melhora na vida do rapaz nem com o seu futuro. Já Laura Dern traz sensibilidade e esperança na pele da professora Riley, que morreria com apenas 31 anos de idade devido ao mal de Hodkin. Jake Gylenhaal não é a redenção, mas também não compromete. Não deve se esperar muito de desenvolvimento dos coadjuvantes que formam a equipe de Homer, já que seus dramas pessoais são atropelados pelo roteiro em cenas soltas, como o do espancamento de um deles por um padrasto. A trilha sonora é melodramática e muitas vezes joga contra o time, afundando cenas em que não era necessária, o que torna o filme um novelão da sessão da tarde. De toda forma, é difícil não ficar com os olhos marejados quando Homer confronta seu pai e mostra quem é o seu verdadeiro herói. 

Cotação: 3,5/5

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