terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O jogo da imitação - 2014





Por Jason

O jogo da imitação traz Benedict Cumberbatch no papel de Alan Turing, matemático e cientista da computação britânico, influente no desenvolvimento da ciência da computação e na formalização do conceito de algoritmo e computação com a "máquina de Turing", que teria um papel importante na criação do computador moderno como conhecemos. O filme mostra a sua contratação pelo serviço secreto britânico para decifrar a máquina alemã Enigma. Criada pelos alemães, ela era uma forma de comunicação entre as tropas na forma de códigos. A tarefa de Turing era transformar esse sem número de símbolos em letras e identificar assim as mensagens dos alemães antes dos ataques contra os aliados durante a Segunda Guerra Mundial.

Turing era anti social, trabalhava isolado, tinha problemas de relacionamento interpessoal e era homossexual. Por ser homossexual, aliás, Turing não podia falar sobre o assunto, já que isso era considerado ilegal na época. Ele ficou fixado na ideia de que, para decodificar Enigma seria necessário um computador melhor e mais rápido. Para isso, se isolou e começou a trabalhar nessa máquina. Ao conhecer a senhorita Joan Elizabeth Clarke (Keira Knightley), passou a aceitar a ajuda das pessoas e se abrir um pouco mais para o mundo e para outras possibilidades - inclusive a propondo em casamento. O obstinado matemático conseguiu interceptar e decodificar as mensagens, mas havia outra situação: se alertassem as forças armadas aliadas, os alemães perceberiam que o Enigma havia sido decodificado e poderiam reverter o jogo.

O filme tem boa reconstituição de época, com figurinos, cenários, fotografia, tudo muito bem acabado, típico filme empacotado para premiações, mas que não funciona no drama, não atinge o thriller, falha como filme de guerra e deixa a desejar como biografia. Benedict se dedica com competência, Keira se esforça, com seu queixo de vida própria, mas uma série de fatores joga contra o time. O roteiro é tão frio e esquemático que volta e meia sai do foco do presente do personagem e volta no tempo, para a época da escola em que Turing era um jovem introspectivo e solitário, desiludido aparentemente por amar um colega de classe que faleceu de tuberculose. Isso sem falar uma trama capenga envolvendo traição com um espião soviético que não empolga, entedia.

Personagens secundários estão lá servindo de enfeites de cenários porque ninguém se desenvolve - são todos unidimensionais. Cenas como a que confessa sobre sua sexualidade para Joan, que recebe bem a ideia e contorna a situação, ela mesma por não ser como os outros, se perdem no mar de marasmo do filme, que não engrena hora nenhuma numa chatice absurda. Mesmo que Benedict construa muito bem seu personagem com o que tem, o fato é que ele parece engessado. E mesmo que o filme volte no tempo para mostrar quem era Alan - ou o "que era", como ele se refere num interrogatório -, o personagem nunca parece palpável, nunca parece real e nunca entramos em sua mente ou nos envolvemos com ele nem com o seus dramas pessoais, que seriam um alicerce perfeito na composição dramática do personagem mas que o filme incrivelmente subtrai.

Para se ter uma noção, a homossexualidade de Turing resultou em um processo criminal em 1952 e ele aceitou o tratamento com hormônios femininos e castração química, como alternativa à prisão, o que lhe causou efeitos severos como crescimento de seios. Esse sofrimento o levou a morte considerada ora acidental por alguns ora auto induzida num suicídio por cianeto (o filme afirma suicídio). Isso é dissolvido rapidamente em apenas alguns minutos no final do filme com alguns letreiros, sem que se tenha o impacto de algo tão absurdo e que seria pessoalmente tão dramático. Um personagem tão importante na história moderna como ele, com a contribuição que deu para a Guerra e para a ciência da computação merecia algo mais vibrante e melhor trabalhado.

Cotação: 2/5

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