sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Uma noite alucinante 3 - 1992




Por Jason

Em Uma noite alucinante 3, Sam Raimi volta ao universo criado com o primeiro filme, A morte do demônio, só que dessa vez o herói atrapalhado Ash vai parar no século XIV. Tentando voltar para casa depois de ser atacado pelo capeta, Ash ouve as explicações de um mago que lhe diz que ele precisa achar o livro Necronomicon, pois só ele tem os poderes para mandá-lo de volta para o seu tempo. O problema é que o livro é guardado em um cemitério maldito e Ash é atacado por seu lado maligno, que se separa de seu corpo e, mesmo enterrado, volta do mundo dos mortos para liderar um exército das trevas contra Ash e uma sociedade medieval.


A opção de Raimi foi a de transformar o filme ainda mais num escracho sem limites, uma piada de 13 milhões de dólares recheada de efeitos especiais hilários de tão podres, capitaneada pelo insano Bruce Campbell, seus tiques e suas gags infinitas. Sai o horror e o suspense trash, entra um clima de fantasia mal acabada e aventura capenga. A parte mais hilária, por exemplo, é a do exército, feito por esqueletos de plásticos e movimentos robóticos e a quantidade de stop motion que se pode imaginar. A bagaceira é tão absurda que quase sempre encontramos erros de montagem, cabos segurando bonecos e atores, maquiagem descolando e figurantes coberto por figurinos mal feitos cujas faces deveriam estar cobertas. 

Em um determinado momento, a mocinha é sequestrada por um demônio de borracha e asas de morcego voando preso num cabo. Depois é possuída e vira a noiva do demônio, para depois voltar ao seu normal mesmo caindo do alto do castelo. Os figurantes são reciclados o tempo todo - se tiver mais de cinquenta, vá lá - e há o vilão com suas extravagantes lentes de contato de dar inveja a qualquer drag queen. É a essência da esculhambação e da pobreza - mas que nem por isso funciona plenamente como deveria. Não dá para negar que tudo é um espetáculo de criatividade feito com poucos recursos, mas o maior pecado seja justamente esse excesso e o desequilíbrio entre os tons que Raimi tenta empregar. No começo, é até divertido, mas depois se torna cansativo. 

No mais, Raimi paga referências a outros nomes conhecidos. A expressão usada por Ash para o Necronomicon é uma variação de uma expressão usada em O dia em que a Terra parou. Os próprios esqueletos parecem saídos de um filme com efeitos especiais de Ray Harryhausen. Há, claro, os filmes de fantasia de aventuras medievais, com suas bruxas, seus magos e seus cavaleiros, aqui em escala reduzida a um castelo com paredes de isopor. Completam o pacote duas versões no final: no escolhido por Sam Raimi, depois de lutar contra o exército das trevas, Ash vai parar no futuro, onde, depois de seu sono de milênios ele acorda numa caverna e ao sair descobre que um apocalipse destruiu tudo. No mais conhecido, ele retorna para a loja - encerrando a aventura que, dizem, pode voltar aos cinemas a qualquer momento. Os fãs aguardam ansiosamente.

Cotação: 2/5 

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