segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Camp X Ray - 2014



Por Jason

A trama de Camp X Ray é até interessante. Uma jovem, Amy Coler, se alista no exército e é mandada para Guantánamo, uma prisão de segurança máxima provisória criada numa base militar logo após os atentados de 11 de setembro de 2001. Os homens que lá estão são acusados de manterem relações com a Al Qaeda, mesmo sem provas definitivas de que isso seja verdade ou qualquer possibilidade que possam apelar para saírem dali. Enquanto estão lá, são submetidos a interrogatórios e abusos físicos, emocionais e mentais de todos os tipos. 


Logo no começo, ela se voluntaria para lidar com um dos presos e recebe um murro na cara e uma cusparada. Depois, passa a entrar em contato frequente com um preso, Ali, que está preso no local há oito anos. Ali é agressivo e responde sempre com ofensas e, em determinado momento, a ataca usando um balde com as próprias fezes. Dos dois nasce, porém, nasce uma improvável relação, quando Amy passa a entender o sofrimento que aquelas pessoas estão passando e as condições e humilhações a que estão mantidos. Essas condições, aliás, levariam a indignação internacional tanto por parte de governos quando de organizações humanitárias internacionais, já que, como relatado, não foi provado que todos os presos tinham ligações com grupos terroristas.

Do relacionamento de duas pessoas tão distintas, culturalmente e socialmente, poderia nascer um filme caloroso. Tanto Ali quanto Amy são duas pessoas prisioneiras de algo maior: ele, no caso, de sua cultura e religião e ela da sua esperança de fazer algo diferente do que viver em pacata cidade de interior americana, com sua mãe querendo que ela encontre um marido e vá viver uma vida de uma menina "normal". O filme bem que tenta convencer, mas o problema é que não levanta questões morais nem se aprofunda no material - o máximo que a personagem faz é uma denuncia por ser forçada a presenciar um banho, um ato constrangedor para o prisioneiro. 

Para piorar, outro problema do filme é Kirsten Stewart. Sem potencial dramático para segurar uma produção que envolve dramaticidade como esta, Kirsten faz cara de idiota o tempo todo, completamente inexpressiva e aparentemente sem saber o que fazer da personagem, afundando com tudo, principalmente pelo fato de que a maior parte do tempo é passada dentro dos corredores da prisão, nos turnos em que os soldados precisam rodar o tempo todo para averiguarem se os presos estão bem. Dura feito uma árvore, graças a Kirsten, auxiliada pelo marasmo da edição, sua personagem pouco atrai importância ou interesse e o filme passa a sensação de que se arrasta mais do que deveria. 

Melhor para o personagem Ali, de Peyman Moaadi, que força o ator a driblar as limitações de Kirsten e do roteiro. É dele, aliás, as melhores cenas. E pior para outros coadjuvantes, que não se desenvolvem - o público tem que aturar o soldado Randy, que assedia Amy e constrange os prisioneiros, cujo ator o compõe de forma caricatural um personagem irresponsável e unidimensional. O resultado dessas irregularidades é esse: um drama que tinha potencial para resultar em algo muito melhor do que é.

Cotação: 2/5 

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