sábado, 14 de fevereiro de 2015

Coherence - 2013




Por Jason

No filme Coherence acompanhamos um grupo de amigos que se reúnem em um jantar numa noite em que um cometa está cruzando os céus da cidade. Coisas estranhas, no entanto, começam a acontecer. Celulares se quebram sozinhos e param de funcionar, falta energia na casa e pessoas parecem rondar a casa. No breu, o grupo de amigos tenta se manter unido sem dar muita atenção para o que está acontecendo, ao passo que descobre que uma casa próxima ainda tem energia. Eles decidem pedir auxílio e é a partir daí que a coisa começa a se complicar - e o espectador desatento começará a se perder no caminho.


A casa ao lado é na verdade a mesma casa, com as mesmas pessoas, versões do mesmo grupo. Rapidamente, os amigos começam a surtar e a criarem formas de se reconhecerem e de se protegerem de si mesmos, o que não dá muito certo, conforme a protagonista Emily percebe. Ela é a primeira a notar que está dentro de uma realidade paralela a milhares delas, que se multiplicam toda vez que eles atravessam uma região escura entre as casas. Nesse contexto, Emily percebe que suas paralelas versões e as de seus amigos estão não apenas coexistindo, mas também interferindo e interagindo entre elas, podendo revelar o pior de cada um. O mote lembra o do filme "Triângulo do medo" em sua proposta, com a diferença que aqui o baixo orçamento só permite que o filme seja resumido a poucos ambientes e atores que nem sempre funcionam.

Não funciona também o seu começo, que pode afastar o espectador desavisado por achar que o roteiro não o levará a lugar algum. Quando o filme embala e fica interessante, o roteiro tenta embutir dramas pessoais desnecessários que não levam a nada, como o caso do marido de Emily que a traiu. Alguns diálogos soam forçados e a forma como o roteiro tenta explicar física ao espectador para lhe dar a noção do que está acontecendo só é compatível em breguice e pobreza com Interestelar. Nenhum personagem é capaz de conquistar o espectador e os coadjuvantes são todos desinteressantes - nem os nomes deles é possível gravar. 

Mas o fato é que o filme tem bom ritmo, passa bem e é eficiente ao embaralhar a trama, de forma que o espectador começa a entender à medida que a protagonista vai encaixando as peças do quebra-cabeças e vai percebendo que a melhor forma de sair dali pode não ser a mais agradável. A escolha de Emily, por sinal, pode levantar alguns questionamentos morais, é semelhante (de novo) a Triângulo do Medo, mas se perde no final abrupto e sem graça que poderia ser melhor trabalhado. De qualquer forma, é um exemplo de filme barato muito criativo e digno de nota que merece ser visto.

Cotação: 3/5   

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