domingo, 1 de fevereiro de 2015

Dívida de honra - The Homesman - 2014




Por Jason

O ano é 1854. Mary Bee é uma mulher solitária e independente, que vive em uma pequena vila árida no território de Nebraska enquanto espera um homem com quem possa se casar e estabelecer uma família. Três mulheres das redondezas são consideradas como loucas após serem maltratadas pelos seus maridos e Mary Bee se dispõe a aceitar a missão de pegá-las e levá-las para onde possam ser tratadas. No meio do caminho, ela se depara com George Briggs, que está prestes a ser enforcado depois de capturado por um grupo de homens. Ela o liberta em troca de que ele ajude com as mulheres. Aos poucos, Mary Bee acaba tendo a ideia de se juntar a George como homem e mulher, mas ele rejeita a ideia. Após um acontecimento com Mary, George consegue chegar ao local e entregar as mulheres para a esposa do reverendo da cidade, para que elas sejam cuidadas. 


Baseado na obra homônima de 1988, o filme faz um retrato seco e duro das vidas das mulheres naquela época. Tem em Hilary Swank o seu maior trunfo, como uma mulher diferente dos padrões vigentes mas que, em seu íntimo, almeja não ser mal vista na sociedade em que vive e se encaixar, mesmo que um pouco, no gênero de mulher submissa e dona de casa. Maltratada e ignorada pelos homens, que a acham feia, chata e mandona, ela nutre uma esperança que acaba indo por água abaixo e a fazendo perder sua vontade de viver. Nesse sentido, Swank, atriz maiúscula, consegue fazer de Mary Bee um personagem complexo e real adiante do seu tempo, que conseguiu sobreviver a uma missão difícil como a viagem mas não a rejeição. Não seria caso de premiá-la com mais um Oscar, mas não faria feio se ela tivesse sido indicada no lugar de outras menos gabaritadas em filmes mais fracos. Isso também vale para Tommy Lee Jones, como George, que transmite toda a loucura, cinismo e ignorância de George, ao mesmo passo que é contaminado pela dor do arrependimento de se negar a ficar com Mary. O elenco de apoio também é excelente, com destaque para Mirana Otto, uma mulher desequilibrada e sofrida, maltratada e traumatizada, que vive agredida pelo marido e vive amarrada. 

Contudo, o  filme é repleto de participações especiais de gente que não diz a que veio na tela, com personagens que pouco ou nada tem a fazer como Meryl Streep, a mulher de um reverendo e  John Lithgow, o religioso da vila. Tem também James Spader como dono de um hotel, que entra e sai e quase não é notado tamanho estrago que o tempo lhe fez e a jovem Hailee Steinfeld, que chega aos 45 do segundo tempo sem nada a fazer. O filme traz cenas de violência, como estupro, espancamento de mulheres e suicídio. Numa cena forte, um recém-nascido é jogado dentro de uma privada, na outra, uma mulher amarrada é espancada pelo marido e levada a força para a carruagem, para depois ser estuprada. Apesar desse drama, a produção carece de ação e movimentação, tem uma montagem que não lhe traz vigor, cenas em que nada acontece e personagens desinteressantes, atributos que podem afastar os espectadores atrás de mais emoção.

Cotação: 1,5/5

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