quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Grandes Olhos - 2014




Por Jason

Margaret Ulbrich saiu de casa em 1958 com a filha, fugindo para São Francisco de um casamento fracassado. Lá, em uma feira de artes, ela conhece Walter Keane. Margaret tinha uma ligação emocional muito forte com seus quadros. Ela pintava crianças, todas elas tristonhas e com olhos enormes, muitas vezes com cara de famintas. Já Keane era um pintor de quadros comuns de paisagens e com muita lábia para vender seu peixe. Pouco depois de se conhecerem, eles se casam, e Keane começa a vender os quadros da mulher. O problema é que os quadros dela começam a se destacar mais do que os dele. 


A partir daí, o enrolado e mentiroso Keane submete Margaret a ficar isolada em sua casa, pintando seus quadros para vendê-los como se fossem dele. Margaret, tímida, continua pintando em ritmo industrial e é obrigada sempre a ficar calada e a viver oprimida. Justamente ela, que se divorciou numa época em que mulheres eram criadas para cuidarem do marido e serem donas de casa. Apesar de picareta, porém, Keane entende como entrar na mídia para promover o trabalho. Premia estrelas de cinema, faz uma associação com colunista, premia o prefeito da cidade, uma celebridade política e assim vai vendendo o trabalho como se fosse seu. Keane não vê o trabalho da esposa como arte, mas sim como uma forma de ganhar dinheiro: vende não só o trabalho dela como se fosse seu, mas até a cópia desse trabalho assinada por ele.

O casamento começa a ruir na mesma proporção que mais mentiras começam a surgir, como a filha de Keane que ele escondeu por todo o tempo, o fato de ele nunca ter sido pintor e sim um vigarista e as provações que Margaret passa por causa dele, sem poder ter amigos nem uma vida feliz com sua filha. A briga vai parar nos tribunais, com Keane montando um circo e Margaret tendo que provar que era a verdadeira autora de todas as obras. Essa relação predadora é o ponto alto e revoltante do filme e, nesse sentido, é preciso se louvar o esforço de Amy Adams, que defende bem o seu personagem, embora sem nunca estourar na tela - poderia ser pior, queriam Reese Witherspoon para o papel. 

Tim Burton dirige o filme com marasmo e sem muito arrojo, mas é interessante que ele seja capaz de dirigir um filme simples sem toda aquela parafernália visual que ele está acostumado a mostrar nas suas produções - e sem o Johnny Depp, claro. Todavia, a fotografia é bastante colorida, por vezes muito saturada e exagerada (é um Burton, relevemos), e algumas inserções digitais para mostrar passagens do tempo incomodam pela precariedade. Christopher Waltz é ator de uma nota só e soa caricato e superficial o tempo todo, fora do tom, e Terence Stamp faz uma participação bem vinda como um crítico que esculhamba com as obras. Ao final, o filme vale pela curiosa história da artista, que se submeteu ao marido pilantra durante muito tempo até sua libertação e finalmente sua consagração merecida.

Cotação: 2/5

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