domingo, 15 de fevereiro de 2015

Meu pai - uma lição de vida - 1989




Por Jason

Produzido por Steven Spielberg, "Meu pai - uma lição de vida" traz um elenco estelar com Ted Danson, Jack Lemmon, Kevin Spacey, Olympia Dukakis e Ethan Hawke. Na trama, a mãe de John (Danson) interpretada por Dukakis sofre um ataque cardíaco enquanto está fazendo compras no supermercado. Ela é uma mulher independente, autoritária e esperta, que cuida do marido Jack (Lemmon) que, ao contrário dela, é dependente de tudo. Com a mãe internada, depois do ataque, John, um trabalhador de Wall Street, sai de sua rotina para cuidar do pai e ensiná-lo a se virar sozinho. 


O trabalho é um pouco difícil no começo. O pai está velho, deixou de dirigir, de fazer as coisas que gosta, e não parece bem mentalmente, sem conseguir sequer se vestir sozinho. A mãe combina com John que não conte nada ao velho, para que ele não fique preocupado, mas John expõe o problema e trata o pai como uma pessoa independente. Conhecidos do velho aposentado estão morrendo e há aquela sensação inexorável de que ele está completando um ciclo, uma vida prestes a acabar. Paralelo a isso, John, divorciado, que tem um filho afastado (Hawke) começa a rever também sua posição de pai e a perceber que não está sendo o pai que seu filho merece. 

Mais tarde, quando Jack está começando a melhorar, a família descobre que ele está com câncer. A doença causa um choque em Jack, que o leva a um tipo de demência, e diante da falta de tato do hospital e dos médicos em cuidar dele, John resolve ele mesmo cuidar do pai. O que já era ruim virou um sofrimento, com o velho tendo ataques de pânico, forçando John a voltar com o pai para o hospital onde ele é monitorado por um novo médico e onde John passa a viver para dar suporte ao pai. Ao receber alta, Jack se sente mais jovem e revigorado, acreditando numa nova realidade, e passa até a cuidar de crianças da vizinhança, tudo contra o gosto da mulher. Mas a doença retorna e não há mais nada o que fazer.

O filme é bem simples e delicado. Ele traz algumas mensagens a respeito da velhice, do quão importante ainda é a família na superação dos problemas que chegam com a terceira idade, das adversidades, e na questão do amor como forma de encontrar a redenção e a paz. Dukakis e Lemmon, como o casal de velhinhos, sobram na tela. A forma como os dois interagem é simplesmente perfeita. Ela como autoritária e impaciente, ele como alguém que reaprende a viver, que passou a vida toda em um trabalho ingrato apenas pelo amor pela família e é acometido pela enfermidade que, todos sabem, o levará a morte mais cedo ou mais tarde. Pela performance, Lemmon foi indicado ao Globo de ouro de melhor ator e o filme indicado ao Oscar de melhor maquiagem. Ele merecia mais.

Kevin Spacey, já com cara de velho e careca, passa batido e Ted Danson é canastrão, não há o que possa ser feito para salvá-lo. Hawke ainda era jovem e não diz a que veio. Danson não consegue transmitir a complexidade de ter sido um filho que se envergonhava do pai submisso a mãe. Inexpressivo, não consegue passar a dimensão de ser um homem que estava falhando como pai também. O filme também escorrega na trilha sonora de James Horner, genérica e histericamente melodramática que aparece nos momentos climáticos sem muita necessidade, carregando o clima novelesco. O filme tem direito a flashbacks desnecessários, já que a trama se sustentava perfeitamente sem eles. De qualquer forma, atire a primeira pedra quem não se emocionar com Lemmon pedindo para a família parar de brigar ou explicando para a mulher com quem viveu cinquenta anos que morrer não é nenhum pecado - mas não aproveitar a vida é. 

Cotação: 3,5/5

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