domingo, 22 de fevereiro de 2015

Napola - 2004




Por Jason


Napola conta a história de um jovem, Friedrich, que luta boxe, se destaca no esporte e por isso é chamado para a escola de elite politico educacional para a formação de militares durante a Alemanha nazista. Lá serão treinados os futuros soldados alemães que serão submetidos a rígida educação e testes físicos e psicológicos. O pai não quer que ele vá, mas ele decide ignorar os apelos, acreditando que será melhor para ele e para a nação. Em pouco tempo, os rapazes que integram a escola começam a passar por humilhações de todos os tipos e Friedrich passa a contar com a amizade de Albrecht Stein, um jovem sensível filho de uma família rica, que ama escrever e que condena aquela violência nazista. 

O pai de Albrecht, porém, é um militar da pior espécie e a alienação dos rapazes leva a situações cada vez mais perturbadoras, como um dos meninos que é obrigado a se despir e a urinar no colchão, segurando o objeto durante toda uma noite. Seu desespero o leva ao suicídio. Não por menos, Albrecht começa a ter sua auto estima destroçada pelo pai e por todo o regime militar, que o leva a loucura quando uma operação é montada para assassinar crianças e inocentes fugitivos russos durante a noite numa floresta gelada das redondezas. Aflito, Albrecht tira a própria vida durante um teste de resistência física, levando Friedrich a optar por encontrar uma saída daquela instituição. Segundo o filme, mais de quinze mil meninos e meninas passariam por escolas de elite nazistas, que eram chamadas de Napolas.

O filme sinaliza um relacionamento homossexual entre Friedrich e Albrecht, que é deixado apenas nas entrelinhas. Os dois nunca chegam as vias de fato de concretizarem aquilo que sentem um pelo outro, o que seria ainda pior dada a situação em que os dois se encontravam - mas isso funciona para que o diretor trabalhe cenas belas e de fotografia excepcional, como na sequência da floresta, a do teste do gelo e a despedida entre os dois. Reproduz também, mesmo que com poucos recursos, a loucura e as humilhações que os rapazes passavam até se tornarem verdadeiros psicopatas e traz bons figurinos para a reconstituição de época. Numa fábrica de monstros nazistas, os dois jovens simbolizam alguma humanidade perdida e essa abordagem é o ponto chave da produção.  

O protagonista Max Riemelt pode ser reconhecido em outro filme mais recente, Queda Livre, de 2013. Embora se esforce, Max e seu rosto fechado e sempre rígido não consegue transpor a força dramática que o filme precisa - ele tenta demonstrar drama no terceiro ato, quando já é tarde. É o estranho Tom Schilling no entanto, o Albrecht, que consegue jogar na tela alguma dor e desespero para o espectador com sua relação familiar problemática. Há também um excesso de rapazes e coadjuvantes sem função na trama, que deveriam servir para solidificar o relacionamento do grupo dentro do roteiro, mas ninguém se desenvolve. O ritmo do filme, cadente, quase parando, beira o tédio e pode espantar os desavisados que esperam um drama de guerra mais ágil e vigoroso. De qualquer forma, a mensagem dada ao final do filme é clara - e necessária.

Cotação: 3/5

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...