quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O Einstein do sexo - Der Einstein des Sex - 1999




Por Jason

Magnus Hirschfeld se formou em Medicina e passou a atuar em Berlin. Homossexual, o médico começou a se incomodar com o desespero dos homossexuais, já que existia na constituição o paragrafo 175 que tratava a homossexualidade como criminosa. Os gays eram considerados pervertidos, doentes, desequilibrados e eram condenados a prisão. Muitos, por não suportarem o preconceito e a pressão da sociedade, acabavam se matando e, obrigados a viverem escondidos, não conseguiam ter uma vida com a mínima dignidade e acabavam prisioneiros em vida da própria situação como o caso de Dorchen, uma travesti que queria ser operada por não suportar o fato de possuir órgão genital masculino. 


Magnus tenta mudar essa situação fundando o primeiro grupo político gay da história em 1897 com a ajuda de um amigo, o Barão austríaco Herman Von Teschenberg que foi expulso do país por ser pego se relacionando com um homem - para tentarem derrubar a criminalização da homossexualidade, fracassando em sua tentativa. Os anos passam, mas Magnus, dedicado ao trabalho, não percebe sequer a paixão de Herman por ele e acaba perdendo-o. Mais tarde, já velho, ele acaba se tornando amigo do travesti Dorchen, os dois se protegem o quanto podem, mas Magnus acaba perdendo muito dinheiro em sua empreitada, o que o força a operar uma hermafrodita para conseguir dinheiro e fundar assim o importante  Instituto de Ciências Sexuais em Berlim. Contudo, a chegada do Nazismo o faz fugir para a França, onde se exilou e morreu, tendo sua obra destruída por Hitler. O título de Einstein do Sexo viria por jornalistas americanos da década de 30, em uma série de palestras que ele daria nos EUA na época.

Apesar de pobre, o telefilme, dirigido por uma travesti, Rosa Von Praunheim, é eficiente ao transpor para as telas a luta de Magnus e a sua total infelicidade no campo amoroso. O médico deixou de viver a vida para se concentrar nos seus estudos, se tornando uma pessoa obcecada por eles em detrimento de seus relacionamentos - e igualmente fria. Magnus, depois de um grande amor da adolescência, só voltaria a se relacionar, segundo o filme, já na sua velhice, ignorando os sentimentos de um jovem por ele apaixonado e que foi trocado por um asiático. O mais irônico é que, embora pregasse a libertação sexual, Magnus vivia tão preso quanto seus pacientes que queria mudar. 

O filme mistura cenas reais de época em passagens de tempo, com encenações, num misto de documentário (há narrações em OFF em profusão) com cinebiografia. Não esconde cenas de nudez e o composto histórico do biografado é sólido. Mas a cara barata e a encenação péssima, alinhado com atuações caricatas e a ausência de peso dramático afundam o filme.

Cotação: 1,5/5  

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...