terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Tempestade na estrada - 2011




Por Jason

Stella (Olympia Dukakis) e Dot (Brenda Fricker) formam um casal de velhinhas que está junto há mais de trinta anos. A neta de Dot quer tirá-la de Stella, pois a velha está cega e acabou de tomar uma queda. Ela quer que Dot tenha cuidados com gente preparada e quer interná-la em um asilo. Depois de conseguir tal feito, Stella vai até o asilo e resgata Dot. Com o plano de se casar com ela, as duas seguem em direção ao Canadá para legalizar o casamento e, no meio do caminho, dão carona para um rapaz, Prentice, um bailarino e michê de beira de estrada. 


A partir daí, o filme começa uma mistura de comédia dramática com road movie, com as duas velhinhas fugitivas e Prentice no meio das duas. A confusão está armada, com passagens pela polícia, a neta de Dot fazendo escândalo para impedir o casamento e a mãe de Prentice, com quem ele vai se encontrar rapidamente, um verdadeiro desastre. Mesmo assim, os três acabam se ajeitando e se tornando amigos, mas, quando tudo está pronto a se realizar, um final trágico os espera.  

O filme independente ganhou trinta prêmios em festivais apesar de pouco conhecido e se sustenta nas duas atuações maravilhosas de Olympia Dukakis e Brenda Fricker. As duas estão simplesmente sensacionais nos papeis e a química entre elas é a chave para o sucesso do filme junto ao espectador. Stella, desbocada, nervosa, determinada e masculinizada, contrasta com a sensível Dot, que mesmo cega é capaz de enxergar beleza onde não vê. Stella, dona da boca mais suja do mundo, não leva desaforo para casa e Dukakis some dentro de Stella soltando seus palavrões como uma metralhadora giratória. As duas são atrizes oscarizadas, excelentes por sinal, que desde a década de 90 acabaram relegadas a papeis em filmes independentes, em telefilmes e em séries sem muita expressão, e aqui provam que ainda são capazes de renderem maravilhosamente bem. 

O filme é uma adaptação de uma peça do próprio diretor para o cinema, e chama de maneira leve e descontraída atenção para a importância da união civil homossexual, incluindo um discurso de Prentice em um bar, colocado ali com essa finalidade. Não escapa, contudo, de algumas das situações clichês condizentes com o gênero e com o fato de que personagens não são bem desenvolvidos e situações desnecessárias - a cena de Dot cega na cama com o homem, por exemplo. O final é abrupto, poderia ser melhor trabalhado, os pais de Prentice surgem de paraquedas na trama e somem minutos depois e o ator que o interpreta está ali apenas para mostrar a bunda e chamar atenção. Embarque na aventura das velhinhas e esqueça o resto.

Cotação: 3/5 

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