sábado, 28 de fevereiro de 2015

Tubarão 4 A vingança - 1987




Por Jason

Alguns fatos sobre a série "Tubarão" são interessantes. A série chegou aos quatro filmes quase que por um milagre, uma vez que a essência das tramas dos quatro filmes é a mesma e não há grandes diferenças entre eles. Do primeiro ao quarto filme, a bilheteria despencou na mesma proporção da qualidade das produções e na mesma medida que o orçamento subiu. Se para se fazer um filme como ele o diretor Steven Spielberg consumiu 9 milhões de dólares na década de 70, o orçamento das continuações inflacionaram sempre na base ou acima de 20 milhões. Mesmo assim, há algumas particularidades a respeito do péssimo quarto episódio.

A primeira é que sim, o filme é uma bomba monumental - mas não é por culpa de seu elenco, já que os problemas aqui são outros. E a segunda é que não, como se poderia supor, o filme não foi um fracasso retumbante em bilheterias. A um custo de 20 milhões dólares na época, custo de produção cara, rendeu quase três vezes mais nas bilheterias ou seja, se pagou e ganhou uns trocados a mais. Claro que o valor é irrisório, se comparado com os recordes quebrados no primeiro filme e com o feito histórico de abrir a temporada de verão americano como umas mais lucrativas do cinema e inaugurar o conceito de blockbuster como conhecemos até hoje. 

A terceira é o terrível roteiro, uma história que já começa mal. Com a morte do oficial Martin (Roy Scheider), Ellen (Lorraine Gary) continua com sua vida. Seu filho mais novo Sean virou delegado como o pai, até o dia em que é comido por um tubarão branco gigante. Triste, a mulher se junta ao outro filho Mike (Lance Guest) para ir numa viagem a Bahamas, onde ela conhece e se envolve com Hogie (Michael Caine). Mas o pesadelo está só começando. Sensitiva e paranormal (?!), Ellen começa a receber o chamado do tubarão, já que pressente sempre que o bicho está por perto.  O bicho, aliás, tem uma predileção por comer barcos, já que adora dar dentadas em embarcações para saborear madeira. Revoltada com toda a situação, Ellen decide fazer justiça com as próprias mãos contra o tubarão, já que ele comeu o seu filho e quase almoça sua neta; Ela toma um barco de assalto e parte para luta. Ao descobrir, seu filho Mike a segue com Hogie e ambos vão lutar contra o bicho no mar. 

Ajuda, e muito, para o espetacular nível de porcaria, a direção incompetente do filme. Se Spielberg escondia a criatura, para só revelá-la no final, o bicho é pessimamente filmado e mal elaborado, um monte de borracha exposto quase sempre pela câmera do diretor que não consegue criar o mínimo de tensão. O tubarão, com sua fome enlouquecida, quase come um avião e um barco inteiro, dá saltos ornamentais mais altos que uma orca de parque de aquático e adora sorrir para a câmera. É medonho. Não há tensão, não há medo, não há suspense, não há drama. O filho querido morreu e ninguém está lamentando, porque a trama rapidamente avança. O tubarão, em sua sede de vingança (!) migra lá das águas de Amity para as Bahamas, para comer a família. Pior ainda: Mike, o filho, casado e pai de família, parece ter uma relação homo afetiva com o cosplay de Whoopi Goldberg, interpretado por Mario Van Peebles. Repare: depois de muito chamego um com o outro, indiretas sexuais, abraços calorosos, e do tubarão atacar o barco, o bicho, preconceituoso, rejeita o negão, fazendo com que Mike termine aos prantos até reencontrar o homem ainda vivo boiando no mar e terminar abraçado com ele!

O filme sepultou a carreira de Lorraine Gary, que abandonou o cinema depois dele, vinte anos depois de iniciá-la em papeis na televisão. Lance Guest também não decolou, embora aqui se esforce para dar alguma credibilidade a essa porcaria - só ele acredita no papel, ao final. Por fim, Michael Caine, preguiçoso, está ali claramente pelo cheque, rodando no automático e aparentemente se divertindo com toda a palhaçada. Tanto empenho só poderia gerar 7 indicações ao prêmio Framboesa de Ouro - merecia levar todos, mas a concorrência estava muito acirrada e acabou ficando apenas com o de piores efeitos especiais. É ver para crer.

Cotação: 0/5  

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