quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Uma senhora herança - 2014




Por Jason

Em Uma senhora herança, Kevin Kline é Mathias Gold. Ele sai de Nova York para Paris para receber de herança um apartamento de seu pai recentemente falecido. Ocorre que ao chegar lá descobre que ele é habitado por Mathilde Girard (Maggie Smith), uma velha que lá está há setenta anos e sua filha, Chloe (Kristin Scott Thomas). Ele é informado por ela que, conforme a leis francesas, ele só terá direito ao apartamento depois que ela morrer. E Mathilda, pelo que ele descobre, está com 90 anos e ainda muitíssimo bem de saúde.

A partir daí, o filme, que começa em tom de comédia, com o choque entre Mathilde e Gold, ele querendo a casa e ela querendo mantê-la, vai ganhando um tom de drama à medida que avança, com um tipo de jornada de auto descoberta que atinge Gold. Chloe, a filha, mantém um relacionamento desastroso com um homem casado e teve uma problemática infância, culpando a mãe em determinado momento pela sua relação desastrosa com o pai. Gold, no fim das contas, é uma pessoa infeliz que precisa exorcizar seus demônios, passou por divórcios e está cheio de dívidas. O apartamento, na verdade, é a força motriz de três personagens desajustados. Os três, aos trancos e barrancos, acabam se entendendo no final das contas, com Gold e Chloe se envolvendo amorosamente, como convém nesse tipo de filme. 

O filme passa quase todo o tempo dentro do apartamento - esqueça Paris - e se sustenta muito mais no trio de atores do que na trama enfadonha em si. Kline, que andava sumido e perdido em filmes de pouca expressão, ainda tem o timing cômico de Um peixe chamado Wanda, que lhe deu o Oscar de Ator Coadjuvante, embora aqui não o explore porque o roteiro não dá espaço para brilhar. Scott escorrega nas cenas dramáticas - falta uma direção de atores melhor - e Maggie Smith traz simpatia a velhinha Mathilde. É maravilhoso vê-la em cena, aliás, aos 80 anos e um currículo invejável, fazendo uma mulher dez anos mais velha e demonstrando vigor, clareza, talento e lucidez na composição de sua personagem. O triste é saber que nem ela, contudo, consegue evitar que o filme seja esquecido dois minutos depois do final.

Cotação: 2/5  

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