terça-feira, 31 de março de 2015

Além da fronteira - 2013




Por Jason

Na trama de Além da fronteira, somos apresentados a um jovem palestino homossexual que acaba se apaixonando por um advogado israelense depois de uma noite num bar frequentado por gays. O amor dos dois, como não podeira deixar de ser, é mais instantâneo que cozinhar um miojo e o problema, claro, não é só pelo fato de os dois serem homossexuais no Oriente Médio - mas também pelo conflito bélico histórico entre os dois povos, que levará os dois a serem tratados também como traidores de seus grupos. O palestino precisa lidar com sua família ultraconservadora e com o fato de estar morando em Israel depois que consegue uma oportunidade de estudos. Já o israelense, melhor sucedido, finge que está num melhor caminho quando na verdade está levando involuntariamente seu parceiro ao risco de morte com essa relação. 


A trama do romance é até bonita e formatada nos moldes de "casal apaixonado lutando contra tudo e contra todos", nenhum problema até aí. Só que ela cai na mesma sina de praticamente todo filme com temática GLS - a do final pessimista, já que o filme não se trata de uma comédia escrachada. O ator que faz o palestino, por sinal, é péssimo e o casal não possui química em cena. Há boas sequências que se salvam, a começar pela morte do amigo Mustafah, ou na cena em que o advogado leva o namorado para casa, mas é de certa forma repreendido pela mãe - ou ainda quando o palestino é expulso de casa por ser tratado como uma vergonha para a família e, prestes a ser morto pelo próprio irmão, este o ajuda. Mas é pouco.

O problema é como isso tudo é executado: a morte do amigo não é sentida nem pelo personagem, já que o ator é ruim - há momentos em que ele parece tentar escapar e evitar beijos em cena; a relação dos dois não arrebata o espectador; o israelense tem cara de nada e age como se estivesse num desfile de moda. Falta estofo dramático, coadjuvantes relevantes, discussões politicas interessantes. E pior: o filme tem material e tem uma ideia que poderia render, mas não se aprofunda em nenhuma das questões, uma vez que ele trata de dois conflitos - entre israelenses e palestinos e contra os homossexuais, temas mais do que atuais e necessários. Ao final, infelizmente, fica uma terrível sensação de filme esquecível e superficial.

Cotação: 1,5/5

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