quinta-feira, 12 de março de 2015

Coronel Redl - 1985




Por Jason

Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Coronel Redl aborda o período final do século XIX e início do século XX, durante a decadência do império Austro-Húngaro, quando Alfred Redl (Klaus Maria Brandauer), surge de uma família de camponeses habitantes de uma pequena cidade do imenso Império Austro-Húngaro para logo cedo ingressar no exército. Ambicioso, o oficial almeja crescer de cargo e logo em seguida é promovido graças ao seu trabalho e esforços ao chefe de polícia secreta. Admira o imperador e o respeita, sem saber que ele é um dos que o levará a sua ruína, envolvendo-o em fraude e escândalos para que sua vida termine de maneira trágica.


A parte importante dessa jornada, porém, não está na trama política rocambolesca, que vai acabar por vitimar o próprio coronel. Redl é um homossexual que esconde sua natureza o máximo possível com a finalidade de não comprometer sua vida nem seu trabalho. Nutre uma paixão por um amigo, enquanto se envolve sexualmente com a mulher dele, que é apaixonada por Redl e quer fugir com ele. A vida escondida de Redl acaba destruindo sua natureza, chegando a ponto de renegar suas próprias origens e sua família. Em uma cena em particular, por exemplo, Redl é obrigado a encarar sua irmã, que partiu para visitá-lo e acaba expulsando-a de lá fingindo não conhecê-la para que sua carreira não fosse comprometida (ela era judia). 

No contexto histórico, o imperador procurava alguém da mesma origem que Redl para usá-lo em favor de sua imagem, mostrando ao povo, abalado com a paranoia de espionagem e corrupção, quem eram os vilões que corrompiam o país. O problema é que Redl encontra uma pessoa para servir de bode, mas ela acaba morrendo. Redl, até então uma autoridade protegida pelo imperador, responsável por espionar personalidades políticas e militares, passa a ser espionado. É quando um jovem é enviado para seduzi-lo e acaba conseguindo o feito. Mesmo furioso, Redl poupa a vida do rapaz e lhe oferece os segredos militares. Ao descobrir toda a trama contra ele, que envolvia o homem por quem era apaixonado, desiludido com a nação e com essa paixão, vítima de preconceito e solitário, Redl se entrega - e se suicida.  

Monótono, mas bem acabado, o filme traz Klaus Maria Brandauer em boa caracterização. Klaus defende seu personagem e consegue traduzir sua dor e seu sofrimento por ser homossexual reprimido, sem apelar para o dramalhão fácil ou para a afetação, trabalhando com olhares e gestos insinuantes. Seu personagem é um mal amado, rude, ambicioso, desesperançoso e infeliz por ser quem é. Mas é também de certa forma ingênuo e sensível, que não sabia lidar com seus próprios sentimentos e capaz de se abrir com sua amante, a quem o protegia por amá-lo. É, em resumo, digno de pena. Klaus carrega o filme nas costas e o que mata seu trabalho complexo é que Coronel Redl não é um filme fácil de se acompanhar. 

Demora a passar mais do que parece e custa uma eternidade para fisgar a atenção do espectador - e quando se torna interessante, ao invadirmos a parte pessoal de Redl, ele se afasta, transformando o filme em algo dramaticamente superficial. Coadjuvantes não se desenvolvem e não possuem importância (atire a primeira pedra quem conseguir gravar o nome de algum). A amante entra e sai servindo de muleta dramática, a paixão de Redl entra e some, voltando ao final. Gente como o espião que o seduz surge e fica poucos segundos em cena, caindo de paraquedas e saindo pela tangente. Como o filme avisa no começo, tudo o que é visto é suposição, afinal a verdade dos fatos não é totalmente conhecida. Talvez por isso (e pelo fato do protagonista ser insuportável), nunca conseguimos sofrer com ele e nunca nos envolvemos com a história, que poderia render. O resultado é esse: um filme frouxo, que não empolga nem um pouco.

Cotação: 2/5

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