quarta-feira, 4 de março de 2015

Eu sou a lenda - 2007




Por Jason

Tramas apocalípticas em que a humanidade foi dizimada por agentes infecciosos volta e meia surgem nos cinemas com diferentes resultados. Apenas dessa adaptação do livro homônimo de Richard Matheson, essa é a terceira (as outras duas datam de 1964 e 1971) e o saldo desta, embora tenha sido um sucesso de bilheteria, é igualmente irregular. Na trama, Will Smith é Robert Neville, que trabalha numa cura de vítimas contra um experimento da Dra Alice Krippin (Emma Thompson, em participação especial). A Dra Alice usou o vírus do sarampo para reprogramá-lo e assim encontrar uma cura para o câncer. O resultado foi positivo para pouco mais de dez mil pacientes testados.


O problema é que o processo deu errado, transformando as pessoas contaminadas em verdadeiros monstros sedentos por sangue, altamente sensíveis a luz, que vivem escondidos, só saem a noite para caçar e não apresentam traços de relações sociais. Três anos depois, Robert é aparentemente o único sobrevivente ao vírus em Nova York e acredita estar sozinho no mundo. Vive com sua cadela Sam, da raça pastor alemão, e passa o dia a assistir filmes, a caçar alces no centro da cidade e a fazer testes de laboratórios com roedores. Os animais não são infectados pelo ar e Neville é imune a ação do vírus. Paralelo a isso, conhecemos um pouco sobre Neville, cuja família (a filha e esposa) morreram enquanto eram evacuados da cidade num helicóptero. Um dia, ele percebe que um dos compostos deu um resultado positivo e caça um exemplar humano para realizar os testes. O exemplar é uma fêmea e o revide das criaturas vem quando um macho arma uma emboscada para ele, que leva à morte da cadelinha. É a partir daqui que o filme desanda.

O filme seguia bem até ali, apostando muito mais numa sutileza do que na ação, mas estamos falando de uma produção de 150 milhões de dólares, que precisava se pagar e gerar lucro. O esforço da produção de cenários, excepcional ao mostrar a Nova York desolada, coberta de vegetação e habitada por animais selvagens, é enterrado quando as criaturas doentes surgem. Criadas por computação gráfica, elas não conseguem atingir o grau de realismo nem a complexidade expressiva de uma criatura como Smeagol, de O senhor de Anéis. São figuras de borracha, bonecos virtuais de jogos de vídeo game que pulam, saltam, dão cambalhotas, gritam como A múmia e fazem acrobacias de dar inveja a qualquer zumbi de Resident Evil. Por mais que Neville amasse sua cadelinha, fica difícil aceitar o seu acesso de revolta, já que por causa dela ele tenta se vingar das criaturas, mas por pouco não é morto: é salvo por Anna (Alice Braga), uma sobrevivente que estava num navio de refugiados da Cruz Vermelha e só Deus sabe como chegou até ali.

Anna acaba levando Neville para casa, mas atrai um exército de criaturas famintas. Se o filme levou uma hora para se desenvolver até aqui, em 30 minutos ele precisa desenvolver a personagem que surgiu de paraquedas e que acaba virando parte importante da trama ao final; mostrar alguma química entre eles, balancear ação e dar um final a tudo isso, o que é pouco - e o espectador sente o ritmo do filme acelerar bruscamente e a qualidade da trama despencar. Não adianta Will Smith e Alice Braga (cuja carreira não decolou) se esforçarem, porque o final é desastroso, como se os roteiristas e direção não soubessem o que fazer para fechar a história, escolhendo a maneira mais fácil do sacrifício do herói e deixando em aberto uma continuação com a personagem feminina (que não ocorreu). Dito isso, o final alternativo parecia ser muito mais sensato e interessante. De qualquer forma, vale como passatempo.

Cotação: 3/5

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