segunda-feira, 30 de março de 2015

O sacrifício final - 1989




Por Jason

Em 1983, uma mulher deu entrada no hospital geral do Estado do Oregon com seus três filhos baleados - Stephen, Cheryl e Christie. Ela era Diane Downs e estava ferida e nervosa. Além do mais, parecia desesperada para salvar os meninos. Dos três filhos, Cheryl morreu antes de chegar ao hospital, Danny ficou paraplégico e Christie sofreu um acidente vascular que a deixou incapacitada. A polícia foi acionada e, segundo Diane, houve uma tentativa de assalto ao seu carro, que resultou em três disparos porque ela tentou reagir - e o assaltante havia disparado contra as crianças e contra ela, ferindo-a no braço. Porém, algo começou a chamar atenção do detetive Doug Welch. 


Diane passa a não demonstrar muito sentimentos pelo que aconteceu. Nem bem está recuperada do ataque e já está pensando em ir trabalhar no dia seguinte.  Doug começa a investigar e descobre que Downs tem um histórico de abuso contra as crianças e mantém um relacionamento extraconjugal. Descobre também que no momento do acontecimento, Downs não dirigiu para salvar os filhos, como relatado por ela. As evidências forenses passam a contestar a história contada por ela quando se é revelado que ela tinha uma arma e que sabia atirar. 

Com a investigação, os promotores argumentaram que Downs atirou nos seus filhos para se ver livre deles e ela pudesse continuar seu caso com seu amante, já que ele não queria crianças em sua vida. Grande parte do caso contra Downs ficaria focado no testemunho de sua filha sobrevivente Christie, que, uma vez que recuperou a capacidade de falar, descreveu como sua mãe disparou nos três filhos, enquanto o carro estava estacionado ao lado da estrada e, em seguida, atirou no próprio braço. Christie tinha oito anos de idade na época do assassinato e nove anos de idade no momento do julgamento. Diane foi considerada culpada de todas as acusações e condenada a prisão perpétua mais 50 anos. Os psiquiatras a diagnosticariam como sendo narcisista, histriônica e portadora de transtornos anti-sociais de personalidade.

Esse caso real e chocante, que mobilizou a opinião pública americana, virou um livro, Small Sacrifices ("Pequenos Sacrifícios") de 1987 que rendeu essa minissérie com a Farrah Fawcett dois anos depois - e que mais tarde viraria um telefilme de três horas (tempos depois, a minissérie foi transmitida no Brasil pela Rede Globo também). Nomes dos personagens foram alterados, para mantê-los em sigilo, e a bela Farrah, que faleceu em 2009 depois de sua luta de três anos contra um câncer, tem aqui um grande momento, pelo qual foi nomeada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz em Missérie ou telefilme e ao Emmy Awars pelo mesmo papel. 

Apesar da cara de produção barata e telenovela, da trama policial não muito convincente, Farrah consegue transmitir toda a loucura e piração de Diane, alternando momentos de afeto com rompantes de fúria, ora fingindo estar abalada pelo que ocorreu, ora não dando a mínima. Diane é uma pessoa real e tátil, desequilibrada, promíscua, de passado problemático, que nunca buscou suas realizações, de enorme carência de atenção, e que mantinha casos com homens casados, completamente perdida, mas que nunca cai no estereotipo de vilã - ela é, sim, uma mulher incapaz de amar seus entes. O trabalho em relação ao personagem é ao menos o melhor do conjunto. 

A produção se arrasta demais em coisas desnecessárias, e entra num terceiro ato demorado com o julgamento e a prisão de Diane (uma hora, só para isso), sendo que o ponto alto é a parte de recriação do crime. As consequências deste acontecimento trágico, obviamente, não foram dos melhores para os que sobreviveram. É sabido que a filha de Diane, Christie, foi adotada, ganhou um novo nome, Becky. Mas aos 16 anos seu então namorado lhe mostrou a sua verdadeira história através desse filme. Aos 17 anos já era usuária e de drogas e estava grávida. Aos vinte, sem estrutura, engravidou novamente, o que levou a colocar seu filho para adoção. Tentou contato com a mãe verdadeira e o pai, mas percebeu que isso só a fez piorar. Aos poucos, se reestruturou. Nesse sentido, é o caso - e o filme - que são suficientes para alertar o óbvio: nem toda mulher nasceu para carregar o sagrado título de mãe.  

Cotação: 3/5

Um comentário:

  1. A última frase do post me deixou arrepiado... Não conhecia este filme.

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