terça-feira, 17 de março de 2015

Os mais jovens - 2014




Por Jason

No futuro, a população sofre com a aridez do clima e a escassez de água. Ernest (Michael Shannon) vive com sua filha Mary (Elle Fanning) e seu filho Jerome (Kodi Smit-McPhee) defendendo sua propriedade e tentando levar água encanada de um poço para a sua residência, sem sucesso. Para conseguir água, Ernest negocia de tudo mas quando o seu burro de carga se acidenta, ele acaba comprando uma máquina, um tipo de cavalo para carga robótico. É esta máquina que alimenta uma confusão com Flem (Nicholas Hoult) por quem Mary é apaixonada - e que vai terminar com o assassinato de Ernest. 


Flem então assume o comando das terras e as torna produtivas, conseguindo levar a água para a fazenda. O problema é que paira sobre ele o passado nebuloso e a própria máquina, que volta e meia surge de volta para casa e é testemunha de tudo o que aconteceu com Ernest. No terceiro ato, Jerome descobre que a máquina é capaz de gravar tudo o que acontece ao redor, o que leva a descoberta de que Flem assassinou Ernest. Agora, o menino trama sua vingança, para colocar as coisas nos eixos novamente - ou colocar tudo a perder.

Os mais jovens se sustenta em sua concepção. Na aridez do deserto, os carros são velhos e compartilham espaço com máquinas de aspecto rudimentar, verdadeiras carroças robóticas. Tudo é simples, mas eficiente, como numa mistura de western e sci-fi. A cidade onde tudo é perfeito está longe, como uma miragem, e tem aparência de cidadezinha interiorana dos anos 70. Na comunidade onde a família vive, porém, tudo tem aspecto decadente, como a moradia de Ernest. Sua esposa está tetraplégica, montada numa aparelhagem meio robótica que lhe dá a possibilidade de andar com uma coluna vertebral artificial e um exoesqueleto de aparência velha - talvez, umas das sacadas mais estranhas e interessantes do filme. O seu estado físico dá o tom de arrependimento e de melancolia de Ernest, que se atola em bebida como quem deseja um copo com água. Repare no momento em que a máquina retorna para a concessionária e Jerome vê a nova máquina, mais sofisticada: o futuro é feito de máquinas ultrapassadas, onde tudo parece já defasado. 

O filme é divivido em três atos, em três capítulos com focos nos três personagens principais - Ernest, Flem e Jerome. No campo de atuação, o ótimo Michael Shannon se destaca, Elle Fanning se esforça, o bizarro Kodi Smit pode render e Nicholas Hoult continua sem dizer a que veio. O filme não mostra como o desastre ambiental ocorreu nem explora como aquelas pessoas chegaram até aquele aspecto decadente - o que deixa tudo um tanto solto. Personagens coadjuvantes são unidimensionais, como o casal que quer vender o próprio filho. Demora para passar e para engrenar e, quando poderia se tornar interessante, simplesmente murcha e acaba (o final é insosso). Ao final, fica uma estranha sensação de que poderia sido melhor, de que falta algo nele para ser digno de ser lembrado dois minutos depois que acaba. 

Cotação: 1,5/5

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gostou? Não gostou? Sugestões? Críticas? Essa é a sua chance de dar a sua opinião porque ela é muito importante para nós! Seja educado e cortês, tenha respeito pelo próximo e por nós, e nada de ofensas, tá? Esse é um espaço democrático, mas comentários ofensivos serão excluídos.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...